Editorial: Comissão que investiga crise financeira precisa atuar em nome do povo

O Congresso prometeu reformar o sistema bancário, mas no último ano os legisladores frequentemente optaram por proteger a indústria financeira, grande contribuinte das campanhas políticas, de ter que prestar contas.

The New York Times |

Por isso, o público tem todo direito de questionar se a Comissão de Investigação da Crise Financeira (criada recentemente pelo Congresso dos Estados Unidos para investigar o colapso econômico) será capaz de colocar o interesse público à frente de lealdades políticas, elos profissionais e preconceitos ideológicos.

Os homens e mulheres do painel são profissionais bem-sucedidos em seus campos de atuação (negócios, direito, economia e educação) e muitos têm experiência anterior no governo. Eles foram escolhidos para executar um serviço que é crucial em restaurar a confiança nos mercados e no governo: suas descobertas também darão base para reformas regulatórias.

Os 10 membros (seis escolhidos pela liderança democrata, quatro pelo liderança republicana) também têm uma longa história partidária e pelo menos um deles tem fortes elos com a indústria financeira.

O presidente democrata da comissão, Phil Angelides, ex-tesoureiro da Califórnia, doou, juntamente com sua mulher, quase US$ 327 mil para candidatos democratas durante as últimas duas décadas, de acordo com o Centro para Políticas Responsivas.

O vice-presidente, ex-representante Bill Thomas, recebeu US$ 1,6 milhão em contribuições de campanha de setores de interesse financeiro, de seguros e imóveis, durante suas quase duas décadas no Capitólio. Agora ele é conselheiro de uma companhia de aconselhamento judicial que representa clientes com negócios bancários e financeiros.

Tudo isto sugere que os esforços da comissão precisam de monitoramento. Aqui estão alguns indicadores precoces para ver se estão cumprindo seu papel.

ESCOLHENDO UM INVESTIGADOR LÍDER: É imperativo que Angelides e Thomas concordem em um investigador forte (com histórico comprovado de expor atividades enganosas ou fraudulentas) para servir como diretor da comissão. O diretor também deve receber os recursos para reunir uma equipe forte de peritos e ter o apoio total da comissão para pressionar a investigação.

A lei permite que a comissão emita intimações caso o presidente e o vice-presidente concordem ou se a maioria do painel votar a favor, contanto que a maioria inclua pelo menos um republicano. Se as intimações forem inibidas por votos partidários, a comissão será paralisada.

RESISTINDO AOS BANCOS: A lei exige que a comissão investigue cada fracasso de uma grande instituição financeira, como Lehman Brothers, durante a crise, e cada grande fracasso que foi evitado através da ajuda do Tesouro.

Alguns bancos podem tentar argumentar que embora tenham recebido ajuda, nunca estiveram em risco de fracasso e assim estão fora dos limites dos investigadores. Mas todos os bancos principais estão implicados na crise e nenhum deve estar fora da esfera da comissão.

RESISTINDO AO GOVERNO: A lei exige que agências e departamentos do governo forneçam informação à comissão quando solicitados. Ainda que muito do que o painel investigará tenha acontecido sob a presidência de George W. o Bush, o braço executivo tende a vigiar seus segredos.

O presidente Barack Obama já se reservou o direito de afirmar privilégio executivo. A comissão deve estar disposta, se necessário, a lutar para ter acesso a documentos.

A comissão deve realizar sua primeira reunião perto do Dia do Trabalho. Conforme seu trabalho se desdobre, haverá mais pontos de referência de sucesso ou falta dele. Por enquanto, é importante que tenha início com o pessoal certo e um compromisso em usar seus poderes de maneira completa.

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