Editorial: Combates no Afeganistão podem durar mais 10 anos

Depois de cinco anos de negação e negligência, o presidente Bush e seus assistentes finalmente perceberam a desesperadora bagunça que fizeram no Afeganistão. Eles têm poucas opções, desde que os alarmes soaram em todos os cantos.

The New York Times |

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Num momento de raro acordo, as 16 agências de inteligência americanas alertaram que o Afeganistão está em "declínio". Mike Mullen, presidente dos Chefes de Equipe, está publicamente prevendo que o próximo ano será ainda "pior".

Como o The Times reportou na semana passada, um relatório da inteligência culpou três problemas pelo declínio da autoridade central e a ascensão do Taleban: corrupção, tráfico de heroína e ataques cada vez mais sofisticados de militantes baseados ao longo da fronteira com o Paquistão. A menos que todos sejam resolvidos rapidamente, a guerra no Afeganistão será perdida.

Sob pressão dos Estados Unidos e dos governos da Otan, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, indicou um novo ministro do interior que será responsável por limpar e fortalecer a polícia do país. Karzai agora precisa cortar os laços com oficiais corruptos. Ele precisa verificar corretamente as alegações de que seu irmão está envolvido no tráfico de heroína que leva US$100 milhões aos cofres do Taleban anualmente.

Os Estados Unidos também terão que enviar mais soldados ao Afeganistão e convencer seus aliados a fazer o mesmo. Ter que ver o o secretário de defesa Robert Gates implorar à Otan (e à Casa Branca) por ajuda é algo assustador. O compromisso da Alemanha de enviar outros 1000 soldados é louvável, mas algo manchado por sua recusa em alocá-los no sul do país, onde a batalha é pior. Membros da Otan que não podem ou não vão enviar mais soldados precisam contribuir com dinheiro para a construção de um exército nacional e financiar o desenvolvimento local.

A recente decisão da Otan de autorizar suas forças a perseguir traficantes e laboratórios de drogas é um início (atrasado), mas ainda algo que tem regras demais.

A gestão Bush precisa abandonar sua resistência a trabalhar com líderes tribais para combater Taleban. O momento de se preocupar com a possibilidade de que isso irá prejudicar Karzai já passou. Negociações para a reconciliação também devem ser exploradas com membros do Taleban (caso abandonem a violência).

Washington também precisa criar uma mistura de incentivos e pressão para persuadir o Paquistão a acabar com os enclaves do Taleban e da Al-Qaeda. Os novos líderes civis e militares do país dizem entender a ameaça representada pelas milícias e que estão dispostas a combatê-las. Isso deve ser encorajado, inclusive com uma ajuda militar e econômica mais cuidadosamente monitorada.

Imagine se Bush não tivesse invadido o Iraque em 2003 e voltado os recursos e a atenção à derrota da Al-Qaeda e do Taleban no Afeganistão. Mesmo os analistas mais otimistas dizem que a situação agora é tão ruim que serão precisos outros cinco ou 10 anos para estabilizar o Afeganistão.

Há mais um motivo pelo qual o próximo presidente precisa planejar uma retirada ordenada do Iraque e começar uma séria batalha no Afeganistão - a verdadeiro fronte de batalha na luta contra o terrorismo.

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