Editorial: Com Mugabe no poder, Zimbábue precisa pensar em suas vítimas

A nova divisão de poder no Zimbábue não é uma solução ideal. Robert Mugabe permanece como presidente, apesar das eleições do ano passado. Seus defensores continuam responsáveis pelo exército, o Ministério da Justiça e outros postos chave que permitem que eles prendam e intimidem opositores.

The New York Times |

Ainda assim, respeitados e competentes líderes da oposição agora coordenam ministérios importantes como saúde, educação e finanças. Estes reformistas agem com a promessa de melhorar a vida do sofrido povo do Zimbábue.

Os Estados Unidos e a Europa podem ajudá-los a cumprir estas promessas ao oferecer maiores recursos financeiros. A economia do Zimbábue foi exaurida por décadas de desastrosas políticas de Mugabe, que destruíram sua moeda, prejudicaram sua agricultura, mineração e indústrias, e exterminaram milhões de vidas através da fome e de epidemias.

Qualquer novo recurso deve ser enviado em um pacote que garanta seus propósitos. Sem contínuas sanções contra Mugabe e seus agressivos colaboradores, mesmo o limitado progresso que foi alcançado até agora pode ser facilmente revertido. O desafio é manter a pressão sobre os relativamente poucos vilões que estão determinados a manter Mugabe no poder, enquanto oferecem algum alívio aos milhões de vítimas de seu catastrófico governo.

Para isso, os Estados Unidos e a União Europeia restringiram corretamente as viagens e congelaram os bens de Mugabe e de seus principais colaboradores. Eles proibiram o comércio com empresas e bancos usados para financiar seu repressivo aparato. Estas medidas almejam principalmente desestruturar a pequena e privilegiada elite do país.

Washington também suspendeu a ajuda direta ao governo do Zimbábue mas oferece considerável ajuda humanitária ao país e através de agências particulares e internacionais paga pelo envio de alimentos emergenciais, remédios e água. Nos últimos 18 anos, enquanto o Zimbábue era atingido pela epidemia de cólera, a ajuda americana totalizou mais de US$250 milhões.

Este canal deve ser ampliado para cobrir itens de sobrevivência como sementes, fertilizantes e sistemas de água e esgotos para a ajudar o Zimbábue a se erguer sozinho.

Pelo menos por enquanto, a ajuda americana deve continuar a ser canalizada indiretamente e não enviada ao governo do Zimbábue. Mas cada vez mais ajuda humanitária pode liberar mais dos fundos do próprio país para pagar os salários de professores, médicos e outros profissionais essenciais. Se o governo do Zimbábue agir sobre esta oportunidade, este poderá ser o momento de reabrir o debate sobre a ajuda direta ao país.

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