Editorial - China perde mais pontos ao publicar lista de proibições para as Olimpíadas

Agora que o choque do terremoto na província de Sichuan (sobre o qual não se tinha controle) dissipou, os líderes chineses estão novamente concentrados em algo que acreditam poder controlar: pessoas. Os fãs dos esportes que planejam ir aos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim terão que carregar, junto com seus ingressos, uma enorme lista de regras.

The New York Times |

O Comitê Olímpico Chinês publicou em seu website na semana passada uma lista de restrições que os 500,000 visitantes estrangeiros esperados para o evento em agosto terão que cumprir. Os espectadores não poderão levar nenhum "material negativo" à China, incluindo materiais impressos, fotos, gravações ou filmes. Faixas políticas ou religiosas e slogans foram proibidos. Da mesma forma as passeatas, comícios ou protestos - a menos que previamente autorizado pelas autoridades. A lista também diz que visitantes com doenças mentais e doenças sexualmente transmissíveis serão impedidos de entrar no país.

A forma como essas regras - altamente intrusivas e subjetivas - serão impostas nos preocupa.

O Comitê Olímpico Internacional há muito proíbe atividades políticas em eventos olímpicos e nós respeitamos o objetivo de tentar abstrair as divisões enquanto se celebra a humanidade. Mas Pequim está usando essas restrições para seus próprios fins autoritários.

Para conquistar o direito de hospedar os jogos, a China prometeu melhorar sua postura em relação aos direitos humanos. Mas o país continua a se mover em direção oposta. Ultimamente, as autoridades proibiram dois proeminentes advogados que se voluntariaram para defender tibetanos acusados de protestar contra a China de exercer a atividade. Eles também impediram a reunião de 100 pais que protestavam pacificamente contra a construção débil das escolas e a morte de seus filhos no terremoto do dia 12 de maio.

As autoridades inicialmente relaxaram suas restrições aos jornalistas e agentes humanitários depois do terremoto, mas voltaram a restringir suas ações. Os jornalistas locais foram encorajados a não cobrir o protesto dos pais e redes de televisão internacional reclamam que os requerimentos de segurança irão limitar a cobertura dos jogos.

Há uma contradição inerente entre a China convidar o mundo para as Olímpiadas e negar a esses visitantes - e a seu próprio povo - o mínimo de liberdade. Na semana passada, uma autoridade do COI disse estar convencido que os jogos serão uma "força benéfica" para o país.

O comitê e governos ocidentais precisam lembrar Pequim que o mundo está assistindo e que até o momento a imagem não é nada boa.

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