Editorial: China e EUA precisam chegar a acordo climático para evitar desastre global

Oficiais da gestão Obama têm mantido o rumo nas negociações com a China sobre a mudança climática.

The New York Times |

A secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, esteve no país em fevereiro. A oradora da Câmara, Nancy Pelosi, e outros líderes congressistas passaram por lá no mês passado, seguidos por especialistas do Departamento de Energia e da Casa Branca.

Também houve contatos regulares em uma série de reuniões das "principais economias" que começaram durante a gestão Bush e incluem outros 17 grandes emissores de gases causadores do efeito estufa.

Sem a participação entusiasmada da China (e, é claro, dos Estados Unidos), as negociações que serão realizadas em dezembro em Copenhague em busca de um novo acordo global para substituir o Protocolo de Kyoto de 1997 devem fracassar. A saúde do planeta está igualmente em risco. Os Estados Unidos são os maiores emissores per capita de gases causadores do efeito estufa.

A China é a maior emissora em geral. Se os dois países não conseguirem chegar a um acordo sobre uma estratégia em comum, o dióxido de carbono na atmosfera deve chegar a níveis desastrosos.

Pelosi se disse encorajada pelo diálogo mas profundamente temerosa a respeito dos dois países caírem em uma antiga armadilha: se escondendo atrás um do outro para que não tenham que fazer nada difícil ou caro.

O temor é legítimo. Mesmo que o Protocolo de Kyoto nunca tenha sido submetido a ratificação, os senadores de ambos os partidos deixaram claro que nunca concordariam com qualquer tratado que exigisse a limitação das emissões dos gases causadores do efeito estufa por parte dos Estados Unidos sem que houvesse uma limitação similar em países em desenvolvimento como a China.

De sua parte, os chineses insistiam (e continuam a insistir) que Washington dê o primeiro passo e faça mais porque, juntamente com a Europa, os Estados Unidos têm responsabilidade pela maior parte do aumento na concentração de gases causadores do efeito estufa na atmosfera nos últimos 150 anos.

Esta dança tem que parar.

É verdade que houve medidas positivas de ambos os lados. O presidente Barack Obama propôs duros novos padrões para a economia de combustível e autorizou sua Agência de Proteção Ambiental a explorar o controle das emissões de gases causadores do efeito estufa de veículos, usinas e outras fontes industriais. A China investe pesado em fontes de energia livres de carbono, como asolar e a eólica, enquanto tenta limpar suas onipresentes usinas de carvão. 

Ainda assim, nenhum dos países realmente se comprometeu com o tipo de redução necessária. Um projeto de um comitê da Câmara que busca o corte obrigatório de 80% nas emissões americanas até meados do século nem começou sua jornada no Congresso.

Os chineses, enquanto isso, nem pensam em limitar obrigatoriamente suas emissões. Eles disseram que irão tentar limitar "a intensidade do carvão" (a quantidade de energia por unidade do PIB) que é uma outra forma de dizer que as emissões poderão aumentar.

O peso de Washington em Pequim não é bom. Sua melhor opção, de longe, será dar o exemplo: passar as iniciativas de Obama, dar continuidade aos investimentos em tecnologias mais limpas, colocar leis significativas em vigor.

Isso pode não ser o suficiente para que os chineses façam o necessário, mas colocará de lado sua principal desculpa.

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