Editorial - Chegou o momento de Obama se definir diante dos eleitores

Barack Obama subirá ao palco em Denver na noite desta quinta-feira para o discurso mais importante de sua vida profissional depois de receber o apoio e desafio de Hillary Rodham Clinton.

The New York Times |


O discurso de sua antiga rival, talvez o melhor de sua carreira, ofereceu o esperado pedido de apoio a Obama. Além disso, fez algo mais, mostrou os valores e a força centrais do Partido Democrata que estavam esquecidos durante a convenção.

Obama precisa ser claro sobre sua posição e mostrar porque, em momentos tão difíceis, os americanos devem confiar seu futuro a ele e seu partido.

Na Convenção Nacional Democrata de 1932, Franklin D. Roosevelt prometeu à nação o "New Deal". Em 1980, na Convenção Nacional Republicana, Ronald Reagan atacou o governo "grande e gordo demais" dos democratas e abriu espaço para sua revolução. George W. Bush usou seu discurso em 2000 para rotular a si mesmo como um "conservador cheio de compaixão" e clamar a Casa Branca da "terceira vez" democrata de Bill Clinton.

Na noite de terça-feira, Hillary Clinton mostrou uma visão corajosa defendendo apaixonadamente que o Partido Democrata acredite em saúde para todos, impostos progressivos, previdência social, combate à pobreza e direitos aos homossexuais. Os republicanos, segundo ela, apóiam um "governo em que os privilegiados vêm primeiro e todo o resto por último".


Obama e Biden se encontraram no palco do Pepsi Center, em Denver / AP

Ela disse ainda que Obama irá "concluir a guerra no Iraque de maneira responsável". Nisso, também, Obama e seu rival John McCain têm visões profundamente diferentes e essas são diferenças que os eleitores americanos precisam entender em detalhes.

O senador Joseph Biden, parceiro de disputa de Obama, foi um pouco além na questão na quarta-feira ao questionar os americanos se gostariam de confiar "no julgamento de McCain quando diz que não é possível se criar uma agenda de retirada" das tropas do Iraque ou na opção de Obama de "determinar um momento para trazer as tropas de combate para casa".

Os democratas também precisam mostrar que suas políticas e posições são as melhores soluções para os problemas do país, de reavivar a economia a reconstruir um exército em dificuldades. Isso é especialmente verdade caso Obama queira conquistar os votos dos republicanos moderados. Muitos reconhecem que os mandatos de Bush foram desastrosos mas ainda vêem os democratas como os republicanos os pintam: um partido da defesa fraca e impostos prejudiciais à economia.

Este país certamente poderia usar um bipartidarismo verdadeiro (algo que não viu na gestão Bush). Mas convenções, como as eleições, são eventos partidários onde os candidatos começam a se definir diante dos eleitores. Sem isso, as eleições acabarim como estão agora, em ataques em propagandas eleitorais que deixam os eleitores com poucas opções além de se concentrar em rótulos superficiais.

Obama chegou a Denver em grande parte por sua capacidade de inspirar eleitores e seu apelo de "nós somos todos uma América". Seu desafio na Convenção, e no outono, é ampliar essa mensagem.

Ele tem que criar uma forte mensagem. Os republicanos dizem ser o partido da prosperidade em casa e da força no exterior, mas depois de oito anos de Bush o país não prosperou e deixou de ser respeitado (ou mesmo temido) no exterior.

Não é suficiente declarar que as políticas da gestão Bush foram desastrosas. Os democratas precisam convencer os eleitores de que suas idéias são a melhor forma de se recuperar deste desastre. Sem dúvida, mostrar isso é a maior tarefa de Obama.

Leia também:

Leia mais sobre: Convenção Democrata - eleições nos EUA

    Leia tudo sobre: eleições nos eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG