Editorial: Chegou a hora de termos medo da internet?

Os usuários da internet costumavam se confortar pensando que para se tornarem vítimas dos piratas da web, eles teriam que frequentar o circuito pornô online ou responder a um email da esposa viúva do ex-presidente do banco central da Nigéria. A ideia era que uma pessoa teria que fazer algo diferente para ser pega pelos malfeitores da rede, ou pelo menos ousar um passeio pelo lado perigoso do ciberespaço.

The New York Times |

Mas os truques se tornaram mais ousados. Dois anos atrás engenheiros do Google informaram que aproximadamente 10% das milhões de páginas da web que analisaram realizavam a "entrega de downloads" de malware, programas que danificam o computador. O Google hoje tem aproximadamente 330 mil websites listados como maliciosos, mais do que o dobro dos 150 mil de um ano atrás.

No começo deste mês o Departamento de Justiça acusou um jovem de 28 anos de Miami e um casal russo de roubarem 130 milhões de números de cartões de crédito de uma das maiores companhias de processamento de compras do mundo, que deveria saber como proteger seus computadores dos hackers.

Além disso, na semana passada, a McAfee, fabricante de softwares antivírus, relatou que fãs em busca de fofocas e lembranças de Holllywood enfrentam um risco alto de caírem nas mãos de bandidos online.

Procurar pela atriz Jessica Biel, que ganhou o Prêmio de Realização do festival de cinema de Newport Beach em 2006 e ficou em terceiro lugar na lista das 100 mulheres mais bonitas da revista Maxim do ano passado, é o mais perigoso, com uma chance entre cinco de se chegar a um website que testou positivo para spyware, adware, spam, phishing, vírus ou outros materiais nocivos.


"Jessica Biel" é a procura que tem mais chances de danificar seu computador / Getty Images

Buscas por Beyoncé, Britney Spears e até mesmo Tom Brady, do New England Patriot, também são arriscadas, de acordo com a McAfee. Mais de 40% dos resultados de buscas do Google para "descanso de tela da Jennifer Aniston" contêm vírus, inclusive aquele apelidado de FunLove.

Talvez os policiais do ciberespaço responderão mais agressivamente às ameaças da internet conforme elas se disseminem para partes mais saudáveis da web, como as forças policiais que não se importam com os crimes nas partes pobres das cidades, mas agem quando ele chega aos bairros de classe média. A McAfee, sem surpresa, sugere que compremos seu software.

Mas com cada vez mais informações sobre os cartões de crédito das pessoas, seu histórico de navegação e sua identidade disponíveis pela rede, será isso suficiente?

Alguns meses atrás, eu criei nervosamente meu primeiro Facebook com a mínima informação necessária para ver fotografias publicadas por velhos amigos. Eu voltei alguns dias depois à página e descobri que de alguma maneira o website havia descoberto tanto o nome da minha faculdade quanto o ano de minha graduação, exibindo-os embaixo do meu nome.

Eu não voltei desde então. No fundo da minha mente eu temo que um hacker de 28 anos e um casal russo tenham juntado mais fatos sobre mim do que eu gostaria que tivessem. E agora é tarde demais para levar toda minha vida para o mundo offline.

- Eduardo Porter

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