Editorial: Caso Madoff demonstra necessidade de fiscalização em Wall Street

Warren Buffett uma vez disse que só se vê quem está nadando sem roupas quando a maré abaixa.

The New York Times |

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O fim do que os promotores dizem ter sido uma das maiores operações fraudulentas da história, orquestrada pelo gestor de fundos nova-iorquino Bernard Madoff, deixou um grande número de pessoas poderosas e inteligentes com um arrepio na espinha.

A suspeita fraude multibilionária de Madoff, descoberta quando a queda nos mercados expôs a fabricação de seu lucro de 10% ao ano, oferece um claro lembrete de como a ganância pode prejudicar o julgamento, enganando até mesmo alguns dos investidores supostamente mais sábios do mundo por décadas. Isso gera uma pergunta fundamental nestes dias: onde estavam os fiscalizadores quando tudo isso aconteceu?

Christopher Cox, presidente da Comissão Securities e Exchange, reconheceu essa semana que a agência havia recebido alegações "confiáveis e específicas" sobre o esquema há pelo menos uma década. Ele prometeu uma investigação interna para entender porque não foram a fundo na questão. Dois anos atrás, o braço da comissão de fiscalização em Nova York abriu uma investigação sobre a possível operação fraudulenta nos negócios de Madoff mas a encerrou depois de descobrir apenas pequenas violações que "não eram sérias o suficiente para que uma ação fosse necessária".

A falha da SEC vai muito além de não perceber este esquema. A agência precisa urgentemente de uma nova liderança, mais recursos e apoio político de alto escalão para recuperar seu papel como principal órgão de policiamento de Wall Street.

Ainda que muitos detalhes permaneçam desconhecidos, as atividades de Madoff deveriam fazer soar muitos alarmes.  Sua firma anunciou lucros improváveis constantemente, não importando a volatilidade do mercado. Além disso, dizia  empregar estratégias que em larga escala deveriam produzir movimentos altamente visíveis nas opções de mercado, mas passaram despercebidas. Sua auditoria era pequena e desconhecida.

Ainda que seja particularmente problemático não ter percebido o que parece ser uma fraude barata inventada há cem anos, a falha da SEC em ir atrás do caso agressivamente exemplifica sua postura descompromissada em garantir a lei em Wall Street. E isso piorou muito durante a gestão Bush.

Como outras agências, a SEC sofreu com a aversão dessa gestão à fiscalização governamental. Sob Cox, a divisão de fiscalização foi limitada por cortes no orçamento e mudanças nas regras que dificultaram a imposição de penalidades em companhias culpadas de algo errado.

Em uma série de relatórios recentes, o gabinete do inspetor geral da SEC, H. David Kotz, detalhou as repetidas falhas da comissão em proceder suas investigações. Ele critica a agência por não exercer nenhuma fiscalização sobre Bear Stearns nos meses que antecederam sua falência, entre outras críticas.

A inabilidade da SEC, ou sua indisposição, a pegar os extremos abusos de Madoff é realmente alarmante. Mary Schapiro, líder da Autoridade Regulamentadora de Serviços Financeiros e a indicada do presidente eleito Barack Obama para a presidência da comissão, tem reputação de ser diligente. A SEC precisará disso, bem como de financiamento e apoio político. Todos nós, não apenas os clientes de Madoff, estamos pagando o preço pela falha dos fiscalizadores em cumprirem seu trabalho.

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