Editorial: Casa Branca pode ter que interferir em acordo de paz para o Oriente Médio

A menos que algo aconteça logo, os israelenses, palestinos e outros árabes podem desperdiçar a melhor chance por paz no Oriente Médio em quase uma década. O presidente Barack Obama está comprometido com negociações sérias e, até agora, há calmaria na violência regional. Mas todos os grandes jogadores da região se recusam a fazer o que é necessário para manter seu próprio povo seguro e dar continuidade ao processo de paz.

The New York Times |

Obama pediu que o primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, interrompa todas as construções de assentamentos como forma de demonstrar o compromisso de seu governo em negociar terras pela paz.

Netanyahu, que aceitou rancorosamente a ideia de uma solução de dois Estados, indicou que poderia aceitar um interrompimento temporário. Enquanto isso, ele aprovou 455 novas licenças para construção na Cisjordânia e disse que o trabalho em 2.500 unidades em andamento também precisa ser concluído.

Isso pode cair bem com os eleitores israelenses, mas deu aos líderes árabes uma desculpa poderosa para não fazer nada.

Obama tem pedido aos Estados árabes para que demonstrem seu próprio compromisso com uma transação de paz sinalizando uma maior aceitação de Israel - ao conceder direitos de sobrevoo por seu território a aviões comerciais israelenses ou abrir consulados ou escritórios comerciais em Israel.

Em vez de patrocinar a ideia, os aliados regionais mais próximos dos Estados Unidos, Egito e Arábia Saudita, se recusam a fazer qualquer gesto de aceitação e desencorajam outros Estados árabes. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, se recusou a aceitar um encontro a três com Obama e Netanyahu em Nova York este mês a menos que Israel implemente uma parada total nas construções.

Será que há alguma saída para este impasse?

O enviado especial da Casa Branca ao Oriente Médio, George Mitchell, está de volta à região esta semana tentando levar bom senso a todos os lados. Ele precisa lhes mostrar que a paciência de Obama não é ilimitada e que a calmaria na violência é quase certamente temporária.

Ele tem que lembrar os egípcios e sauditas, que vivem com medo da influência do Irã, que o acordo de paz é a melhor forma de verificar o extremismo e poder de Teerã. E os Estados do Golfo, que insistem que estão menos envolvidos no antigo ódio, devem ser urgidos a sair da sombra de Riyadh e do Cairo e fazer o que eles já sabem ser necessário.

Obama precisa pressionar Netanyahu a ações mais ousadas, que deixariam mais claro ao desconfiado público israelense por que o interrompimento das construções e a retomada do processo de paz é de seu interesse

Obama ainda espera reunir os líderes israelense e palestino nas Nações Unidas este mês para anunciar a retomada das negociações de paz. Para que isso aconteça, ele terá que pressionar muito mais todos os líderes da região.

Obama e Mitchell já investiram oito meses na construção da confiança e diplomacia. Se não houver alguma mudança em breve logo, eles podem ter que colocar seu próprio acordo na mesa.

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