Editorial - Candidatos se posicionam a respeito das guerras americanas

Desde o início da campanha presidencial de 2008 ficou claro que as guerras no Iraque e Afeganistão serão o principal desafio da política externa do próximo presidente. Mas pouco se debateu detalhadamente essa questão nas campanhas.

The New York Times |

Até essa semana, quando o senador Barack Obama, candidato democrata ao cargo, ofereceu seu plano detalhado para lidar com a bagunça que o presidente Bush criou impondo a necessidade de uma guerra contra a Al-Qaeda no Afeganistão, que deveria deixar os americanos mais seguros, e iniciando uma guerra por opção no Iraque, que fez o mundo mais inseguro.

O rival republicano de Obama, o senador John McCain, já não pode ignorar a situação na fronteira do Afeganistão com o Paquistão, onde a Al-Qaeda e o Taleban (as verdadeiras ameaças à segurança americana) voltaram a atacar. Mas ele não atingiu a seriedade de Obama a respeito do Iraque. McCain ainda tem muitos laços, amplamente adotados pela defesa cega de Bush de um conflito infindável.

Obama consegue ver melhor, apesar de McCain alegar mais experiência em política externa. Durante muito tempo a preocupação de Bush com suas desventuras no Iraque (quando alegou a presença da Al-Qaeda onde não havia) divergiu perigosamente os recursos humanos, bélicos e a atenção do Afeganistão e Paquistão. Como Obama corretamente reconheceu em um artigo editorial na revista The Times dessa segunda-feira e em um discurso na terça-feira, esses países, e não o Iraque, são os verdadeiros frontes na guerra contra o terrorismo.

Obama disse que irá retirar as forças de combate do Iraque até 2010, remanejar pelo menos 10 mil tropas para o Afeganistão que podem ser usadas para persuadir os aliados da Otan a aumentar seus números, enviar mais ajuda não militar ao país e construir parcerias mais forte na problemática fronteira. Ele também prometeu outros US$2 bilhões como parte de um esforço internacional para lidar com os mais de 4 milhões de iraquianos afastados de casa (uma crise que a gestão Bush inconscientemente ignorou).

A aceitação de uma proposta dos líderes do Comitê de Relações Exteriores do Senado (o presidente democrata, Joseph Biden, e o republicano, Richard Lugar) em triplicar a ajuda não-militar ao Paquistão para US$7.5 bilhões nos próximos cinco anos por Obama foi algo encorajador. Os Estados Unidos precisam investir em criar mais laços com o povo paquistanês e fortalecer sua democracia. O Congresso deve agir rapidamente para adotar a proposta, que também exigiria um plano há muito adiado para lidar com a ilegalidade na fronteira do Afeganistão com o Paquistão.

Depois de argumentar que  nenhuma força adicional será necessária, McCain mudou de postura na terça-feira e apoiou o envio de outras 15 mil tropas ao Afeganistão. Mas ele pareceu confuso sobre se essas forças sairiam do Iraque ou seriam uma força tarefa criada entre americanos e a Otan, fazendo com que questionemos a formação de suas idéias.

Além disso, foi perturbador ouvir McCain ainda falar sobre "vencer" a guerra no Iraque e adotando a tediosa tática de acusar Obama de "desistir" quando ele fala sobre uma cuidadosa retirada das forças militares.

Não se sabe o que vencer significa para McCain. Bush inicialmente prometeu um Iraque livre e democrático. Depois de gastar US$656 bilhões, sua gestão abandonou tais noções grandiosas e ele terá sorte se deixar para traz um governo marginalmente funcional em um país frágil e violento.

Obama reconhece essa realidade e o fato que a decisão de Bush de posicionar mais tropas no ano passado reduziu a violência. McCain usa isso para justificar uma guerra sem fim. Obama sabiamente diz que aquele já é momento de capitalizar os sacrifícios dos soldados americanos para planejar o fim da guerra. "Em algum momento precisamos tomar uma decisão", ele disse. "O Iraque não será um lugar perfeito e nós não temos recursos para tentar fazer dele um lugar perfeito".

Ele também demonstrou que as forças militares não podem suprir as demandas por tropas de Bush. "O verdadeiro sucesso acontecerá quando deixarmos o Iraque nas mãos de um governo que assuma a responsabilidade por seu futuro", ele disse.

Os Estados Unidos não podem simplesmente dar as costas ao Iraque, mas  isso não é o que Obama sugere. Ele propôs manter uma força residual no país para missões específicas, como combater a Al-Qaeda. Ele também reconheceu que fará mais ajustes táticos quando necessário.

Quanto mais os Estados Unidos insistirem em não considerar uma retirada, menos incentivo os iraquianos têm para resolver suas diferenças políticas. Os líderes iraquianos pediram uma agenda de retirada. O próximo presidente precisa aceitar a palavra deles. Os candidatos precisam continuar falando sobre como irão atingir essa meta e então lidar com as verdadeiras ameaças no Afeganistão e Paquistão.

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