Editorial - Candidatos americanos precisam se concentrar na Casa Branca

Como muitos americanos, estamos intrigados e até mesmo exasperados com a longa disputa primária entre os candidatos democratas e as cada vez piores agressões entre os senadores Barack Obama e Hillary Rodham Clinton. Por isso estamos contentes que o senador John McCain tenha nos lembrado na terça-feira o real motivo da corrida presidencial deste ano.

The New York Times |



Enquanto os democratas votavam na Carolina do Norte, onde Obama venceu, e em Indiana, onde a diferença era pequena no momento do anúncio à imprensa, McCain falava sobre sua filosofia judicial. Ele está determinado a mudar uma Suprema Corte conservadora e ativista ainda mais para a direita, bem como o sistema judiciário.

McCain previsivelmente criticou os juizes liberais, prometeu manter as opiniões dos fundadores e indicar mais juizes como John Roberts e Samuel Alito. Isso é exatamente o que esse país não precisa.

Desde que o presidente Bush indicou Roberts e Alito, a corte pediu que os Estados de Seattle e Louisville lutassem contra a integração voluntária nas escolas, protegeu empregadores que tratam seus empregados incorretamente e restringiu o direito de escolha das mulheres e dos cidadãos ao voto.

McCain não falou, é claro, sobre como a corte comandada por Roberts anulou as decisões do Congresso sobre uma importante parte de um projeto de lei financeira patrocinado por ele. Uma certa nostalgia tomou conta do candidato sobre o que "os direitos básicos à propriedade" significaram desde "a fundação da América". (Ele não mencionou que em 1789, muitas mulheres não podiam ser proprietárias e como os negros eram propriedades, mas criticou a idéia de que valores evoluem com o tempo.)

Houve um momento em que nos entusiasmamos rapidamente. McCain declarou que "todos os poderes da presidência americana devem servir à Constituição e com isso proteger o povo e suas liberdades". Esperamos que esse seja o começo de uma séria crítica sobre como o presidente Bush violou importantes liberdades civis: autorizando a tortura, ordenando espionagem ilegal contra cidadãos americanos e negando o direito de acesso de prisioneiros ao habeas corpus.

McCain já criticou eloquentemente as políticas de Bush em algumas dessas questões, mas não falou sobre isso na terça-feira.

O que nos leva de volta às primárias democratas. Está cada vez mais claro que os super delegados terão que resolver essa disputa. Já há muito debate sobre como eles deverão fazer isso. Escolher o candidato que venceu as primárias em seu Estado? Ou aquele que tenha mais delegados? Ou o que tiver mais votos numa contagem geral?

O discurso de McCain sugere uma medida adicional: o candidato mais capaz de explicar aos eleitores americanos nas próximas semanas o que está realmente em risco nessas eleições e porque o país não pode, por exemplo, ter outro presidente comprometido a montar cortes com juizes da ala direita.

Há poucas diferenças nas políticas de Clinton e Obama. Mas há um enorme vão entre McCain e os candidatos democratas - e pouca diferença entre ele e Bush.

Ao invés de discutir inutilmente quem primeiro se opôs à Nafta ou qual dos advogados formados nas principais universidades do país tem mais senso comum, Obama e Clinton deveriam explicar o que fariam para restaurar o equilíbrio entre poder e a proteção das liberdades civis. Eles precisam falar muito mais sobre a crise no sistema de saúde e de empréstimos imobiliários e sobre como fariam para trazer os soldados americanos para casa.

A última primária democrata acontecerá em menos de um mês. Clinton e Obama podem passar esse tempo se atacando ou realmente debatendo o que interessa - as questões que os separam dos republicanos. Os eleitores, e não apenas os super delegados, merecem isso.

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