Editorial - Candidatos à presidência deveriam falar mais sobre os impostos

Um dos problemas mais difíceis que o próximo presidente terá que enfrentar é questão dos impostos. Não haverá progresso real na saúde, reconstrução militar ou qualquer outra área sem que se resolva o crescente déficit no orçamento e as dívidas de quase oito anos de gastos irresponsáveis e isenção de impostos para os ricos.

The New York Times |

Por isso mesmo é preocupante ver os três candidatos ao cargo fingir que podem manter suas promessas sem aumentar os impostos.

A realidade é essa:

Para recuperar o orçamento da saúde, além de manter promessas de campanha audaciosas que exigiriam mais gastos, o próximo presidente, não impota quem seja, terá que aumentar muito mais os impostos sobre o povo americano do que está disposto a admitir.

A posição do senador John McCain em relação aos impostos é particularmente distanciada da realidade.

O candidato republicano tem feito extravagantes ofertas - bilhões de dólares em isenções de impostos por ano, além de estender aquelas já colocadas em prática pelo presidente Bush, sem nenhum plano para recuperar o dinheiro que será perdido pelo governo.

Entre seus peculiares comentários recentemente, ele insiste que os ínfimos impostos sobre ganhos capitais atuais - que beneficiam apenas os milionários e que ele pretende preservar - são importantes para os trabalhadores com planos de aposentadoria. Memorando a McCain: quem economiza dessa forma não tem benefício em impostos sobre baixos ganhos capitais. Todo o dinheiro nesses planos de aposentadoria é tributado de acordo com as taxas de imposto comuns e não aquelas usadas para ganhos capitais, que são especialmente reduzidas.

Infelizmente, não falar sobre o assunto é algo que tem permeado ambos partidos. No debate realizado pelos senadores Barack Obama e Hillary Rodham Clinton antes da primária da Pensilvânia, ambos os candidatos morderam a isca de George Stephanopolous, um dos moderadores da ABC News, que questionou sobre promessas de não criarem novos impostos.

Clinton prometeu não aumentar os impostos de "americanos classe média, que ganhem menos de US$ 250 mil". Obama prometeu cortar os impostos sobre salários menores de "US$ 200 mil e US$ 250 mil".

Deixando essa estranha definição de classe média de lado, nenhum candidato faz sentido. Nos Estados Unidos hoje qualquer um que ganhe quase um quarto de milhão de dólares por ano está entre 3% do total dos contribuintes. (A renda média é US$ 50 mil). Mesmo nos Estados com maior percentagem de contribuintes acima dos US$ 200 mil - Connecticut e Nova Jersey - apenas 6% da população tem essa renda.

Clinton e Obama estão dizendo que podem pagar suas promessas aumentando os impostos em 3% dos contribuintes. Isso não é plausível, econômica ou politicamente.

Talvez os candidatos temam que o povo americano não consiga lidar com a verdade a respeito do que seria necessário para enfrentar os desafios econômicos do país. Ou talvez estejam subestimando esses desafios.

Em todo caso, essa postura é pouco confiável em tempos de guerra e crise econômica.

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