Editorial: Candidatos à presidência detalham planos para a saúde pública

O sistema de saúde americano precisa urgentemente de reformas (como muitos sabem por experiência própria). Nesta eleição, Barack Obama e John McCain oferecem ideias muito diferentes sobre como consertá-lo.

The New York Times |

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Cerca de 45 milhões de americanos não têm assistência médica, limitando sua capacidade de receber atendimento. Os custos da saúde e assistência médica aumentam mais rapidamente do que a renda familiar, tornando ainda mais difícil que as pessoas consigam obtê-los.

As pessoas não podem manter a mesma assistência quando mudam de emprego, limitando sua mobilidade. Fora do ambiente de trabalho é difícil encontrar assistências médicas a preços razoáveis.

Apesar da riqueza e avanços tecnológicos do país, a qualidade dos cuidados médicos geralmente ficam atrás da oferecida em outras nações industrializadas.

Ambos os candidatos aceitam a a posição dos especialistas no assunto sobre as formas de melhorar a qualidade e baixar os custos para a saúde a longo prazo, como fazer maior uso de registros médicos eletrônicos e gerenciar melhor os cronicamente doentes. Mas eles têm ideias diferentes sobre a melhor forma de disponibilizar a assistência médica para todos os americanos.

Nós acreditamos que o plano de McCain, que se apoia na mudança do código fiscal, é muito arriscado. Ele prejudicaria a assistência médica coletiva oferecida pelos empregadores e faria com que mais pessoas comprem suas próprias num mercado com problemas, onde as seguradoras geralmente rejeitam pessoas com condições preexistentes.

Obama se concentra primordialmente na ampliação da cobertura à grande parte dos 45 milhões de americanos que não têm assistência através da expansão de programas públicos e privados com a ajuda de subsídios federais e mandatos. Sua maior inovação seria uma troca mediada pelo governo, na qual americanos sem assistência poderiam optar (como os empregadores já podem) por planos coletivos. Ele também criaria um novo programa público para concorrer com as assistências privadas.

O plano de Obama é um começo melhor do que o de McCain. Mas ainda assim não deve ajudar os americanos que merecem uma assistência barata e de qualidade.

Nenhum candidato explicou detalhadamente como irá pagar por seu plano.

Obama diz que irá aplicar o dinheiro economizado pela rescisão das isenções fiscais dadas aos ricos na era Bush e da reforma do sistema de saúde, mas ainda há dúvidas sobre estas economias.

McCain também conta com medidas de contenção de gastos mas depende ainda mais das forças de mercado para que os custos da assistência médica diminuam. Ele espera que as pessoas que comprarem suas próprias assistências irão buscar planos mais baratos e fazer escolhas mais cuidadosas sobre a assistência médica que realmente precisam. Entre os perigos está a possibilidade de pessoas realmente doentes se absterem de tratamentos que precisam.

O plano de Obama é melhor porque oferece maior cobertura para os que não têm assistência médica, distribui os riscos e custos de forma mais igualitária e resulta numa cobertura mais completa para a maioria dos americanos. Nós tememos que o plano de McCain iria prejudicar a cobertura oferecida pelas empresas sem oferecer uma substituta adequada. Num momento em que tantos empregadores reduzem ou abandonam a assistência médica de seus funcionários, este é um risco que o país não pode tomar.

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