Editorial - Bush terá pouco a oferecer em reunião sobre crise financeira

O presidente Bush será o pior representante presente no dia 15 de novembro, quando líderes de 20 países se encontrarão em Washington para debater a crise financeira mundial. Com apenas dois meses para o final de seu mandato, ele não estará presente para implementar nenhuma das mudanças que prometer ou com as quais concordar.

New York Times |

Acordo Ortográfico O maior problema de Bush é sua enorme falta de credibilidade quando o assunto é como regulamentar os mercados nacionais e mundiais para garantir que este desastre não volte a acontecer. Oito anos e uma enorme crise financeira depois, Bush ainda exalta os poderes auto-regulatórios do mercado irrestrito.

Ainda assim, este encontro não pode, nem deve, esperar por um momento mais oportuno no ciclo político americano.

Com o mundo entrando numa recessão causada pelos Estados Unidos, as potências econômicas precisam expor suas preocupações e os mercados precisam ver que os líderes políticos estão prontos para trabalhar juntos e restaurar a estabilidade.

O que este encontro não deve fazer é tentar impor qualquer projeto de mudança real. Com a crise ainda em desenvolvimento, é muito cedo para reformas extensas. Diferenças filosóficas ainda são muito profundas e, com Bush de saída, os americanos não estão prontos para assinar nada.

Quando ele propôs essa reunião no mês passado, o presidente Nicolas Sarkozy da França pediu desde a "moralização dos mercados financeiros"
até uma maior fiscalização dos bancos e ajuda governamental para a indústria nacional. Bush enfatizou a necessidade de se preservar "mercados livres, investimentos livres e negócios livres".

Os dois finalmente concordaram que a reunião deverá "rever o progresso" da crise e "buscar acordos para os princípios de uma reforma". A essa altura até mesmo isso pode ser demais.

O encontro ainda poderá ser útil caso os líderes o usem para dar início a um sério debate sobre as raízes da crise financeira e concordem em realizar uma série de outras reuniões para discutir reformas substanciais.

Eles podem começar o processo pedindo a formação de um grupo internacional de especialistas de alto nível e não governamental para analisar as causas e implicações da crise. Quando houver algum acordo, outro grupo de especialistas deve estabelecer uma lista de possíveis mudanças. Isso dará ao próximo presidente um ponto de partida.

Nós parabenizamos Bush por insistir que a lista de participantes fosse além dos países industrializados mais ricos para que incluísse outros, economicamente importantes, como a China, Índia, Austrália e Brasil.
Estes países também estão sofrendo com a crise criada pelos Estados Unidos, uma vez que a situação nos mercados enfraquece as economias em todo o mundo e prejudica as exportações. Além disso, estes países também merecem ter voz em qualquer solução a longo prazo.

Nós gostaríamos de acreditar que Bush, depois de oito anos de desprezo pela diplomacia e qualquer coisa com a palavra multilateral, tenha finalmente percebido que os Estados Unidos não conseguem andar sozinhos.

Por causa do país que o próximo presidente irá herdar (endividado, dependente de petróleo e fonte de calamidade financeira) ele não estará em posição de ditar termos para o resto do mundo. Caso o encontro do dia 15 de novembro possa preparar o terreno para uma colaboração real, ele será um sucesso.

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