Editorial: Bush prepara último golpe baixo contra trabalhadores rurais

A gestão Bush está fazendo uma revisão de última hora do programa de visto para trabalhadores rurais temporários que irá facilitar a contratação de estrangeiros no lugar de americanos, diminuir os salários e prejudicar os direitos trabalhistas.

The New York Times |

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Seria de se imaginar que depois de oito anos sem conseguir consertar a imigração, essa gestão iria desistir ao invés de tentar uma última solução desesperada.

Mas este plano não chega a ser nem mesmo isso - aliás, não passa de um ato malicioso a tempo das festas de fim de ano.

As mudanças propostas pelo Departamento do Trabalho ao programa de vistos H-2A, que podem entrar em vigor em janeiro, deveriam ajudar tanto os fazendeiros quanto os trabalhadores ao tornar a contratação mais rápida e barata. O programa é notoriamente incômodo e pouco utilizado, aprovando apenas cerca de 75,000 empregos para estrangeiros por ano, em uma força de trabalho de 2.5 milhões de trabalhadores rurais temporários e migrantes, mais da metade dos quais não tem documentos.

Para incentivar o uso dos vistos H-2A, o governo quer permitir que os empregadores pulem algumas etapas. A fórmula salarial seria modificada para abaixar os valores pagos. Além disso, não seria mais necessário passar pelo longo processo para provar que eles tentaram contratar americanos primeiro e limitaria o quanto eles têm que reembolsar aos trabalhadores pelo custo de sua viagem de volta para casa.

Ninguém espera que a revisão do visto H-2A seja o suficiente para impedir a contratação de imigrantes ilegais, que trabalham muito por salários ínfimos. A falta de trabalhadores rurais é grande demais, mas ao enfraquecer as proteções legais dos trabalhadores, as mudanças abririam espaço para abusos e tornariam um programa já ruim ainda pior.

Este novo plano ecoa o programa braçal dos anos 1940 aos 1960, quando mexicanos foram recrutados para trabalhar em esquema de servidão nos Estados Unidos. Abusos sob o programa H-2A de hoje já são desenfreados, grupos de defesa como o Farmworker Justice rotineiramente documentam exemplos de trabalhadores que, presos a seus empregadores e desprotegidos pelo governo, se submetem a condições abusivas, roubo de salários e outras explorações.

Há uma solução melhor a longo prazo. O AgJobs, um projeto de lei federal que morreu com as tentativas anteriores de reforma imigratória. Ele daria aos trabalhadores sem documentos a chance de legalizar sua situação e o direito de mudarem de empregos, uma medida crucial para desencorajar os abusos cometidos por empregadores. Seu objetivo é impulsionar os direitos dos trabalhadores e criar uma força de trabalho mais produtiva e estável. O AgJobs não é perfeito, mas nasceu de longas negociações entre fazendeiros e defensores dos trabalhadores - um compromisso que os planos da gestão Bush podem jogar fora.

O Congresso e a nova gestão terão que desfazer esse erro. Qualquer um que aceite o argumento de que reduzir salários e a fiscalização governamental do programa de trabalho irá ajudar os trabalhadores (estrangeiros ou americanos) simplesmente não prestou atenção.

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