Editorial - Bush mantém postura inerte em relação a direitos humanos na China

Duas semanas antes de ir aos Jogos Olímpicos de Pequim o presidente Bush permanece inaceitavelmente silencioso a respeito da postura da China em relação aos direitos humanos básicos. Encorajada pela cumplicidade de Bush e outros líderes internacionais, a China atormenta ou prende seus críticos, ameaça jornalistas e nega vistos.

The New York Times |

Apesar de termos aceitado a decisão de Bush de participar da Olimpíada, que deve celebrar o espírito humano e a excelência atlética, sua recusa em falar publicamente e claramente sobre o comportamento repressor da China é uma renúncia a sua posição como líder e uma mancha em seu histórico.

Bush tenta se mostrar como um mero fã de esportes ávido para torcer para os times nacionais, que não quer usar a Olimpíada para fazer declarações políticas. Um presidente fingir que é apenas um torcedor é patético (principalmente porque ninguém buscou mais vantagem política com os jogos do que a própria China).

A situação beirou o absurdo na semana passada, quando Bush fez um longo discurso sobre seus "planos de liberdade" para o mundo. Ele falou amplamente sobre a necessidade da América liderar a causa da liberdade e dos direitos humanos, mas fez apenas uma curta referência à China. Sua insistência de que aqueles que são "negligenciados pela tirania" não estão sozinhos serviu de pouco consolo a Hu Jia e outros ativistas chineses presos.

Os "planos de liberdade" de Bush sempre foram seletivos, dando preferência a países menores e não às grandes nações como a China e a Rússia, das quais essa gestão depende em outros assuntos. Ele insiste que compartilha suas preocupações sobre os direitos humanos em particular com os dirigentes da China, mas isso não mostrou muito efeito positivo. Um relatório da Anistia Internacional lançado nesta segunda-feira é o último a reprovar a China por não manter suas promessas pré-olímpicas de ampliar a liberdade de imprensa para jornalistas estrangeiros. Quando competiam para sediar os jogos, as autoridades chinesas também deixaram implícito que iriam ampliar o acesso aos direitos humanos, mas isso também não passou de um falso marketing.

Em 2005, a gestão Bush corretamente desafiou a China a se tornar uma responsável participante do sistema internacional e tornar seu governo mais confiável para seu povo. Depois de evitar o assunto em relação à Olimpíada, Bush deve falar sobre o problema dos direitos humanos (talvez essa semana).

Isso não deveria ser um problema. Bush deve deixar claro publicamente quais são suas opiniões. Caso ele vá à igreja em Pequim, como seus assessores dizem que irá, ele deve também se encontrar com as famílias de dissidentes encarcerados. Essa pode ser sua última chance de tomar uma posição em relação à China e aos direitos humanos.

Leia mais sobre China - EUA

    Leia tudo sobre: chinaeua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG