Editorial - Bush envia diplomata ao Irã

O presidente Bush decidiu enviar um de seus principais diplomatas ao Irã e essa é uma ótima notícia. Isso representa uma grande mudança em relação a postura de Bush há apenas alguns meses, quando ele afirmou que autorizar tais negoci0ações seria como apaziguar terroristas e radicais.

The New York Times |

Apesar de estarmos no final do jogo, esperamos que Bush e a secretária de Estado Condoleezza Rice estejam aprendendo as lições de sete anos de políticas externas falhas, baseadas quase completamente no isolamento (ou ataque) dos adversários americanos. Há poucas chances de se resolver grandes problemas internacionais enquanto esse país se recusar a negociar.

Esperamos que isso também signifique que o vice-presidente Dick Cheney e sua equipe tenham desistido de sua perigosa fantasia de bombardear as ambições nucleares do Irã (ou que pelo menos tenham sido controlados pelo presidente).

Há dois anos as Nações Unidas ordenaram que o Irã parasse de enriquecer urânio. Teerã continua a desafiar essa ordem e seus cientistas estão cada vez mais perto de dominar o processo, que é a parte mais difícil na construção de armas nucleares.

Os Estados Unidos e outras grandes potências (Grã-Bretanha, França, Alemanha, China e Rússia) tentaram usar uma mistura de incentivos e sanções para fazer com que o Irã abandonasse suas ambições nucleares. Mas essa postura não foi muito persuasiva.

China e Rússia, que têm fortes laços econômicos com o Irã, bloquearam sanções maiores, enquanto a gestão Bush não ofereceu melhorias no relacionamento ou garantias de segurança e se recusou a negociar.

A decisão de Bush de enviar William Burns (o terceiro em comando de Rice e um respeitado ex-embaixador em Moscou) juntamente com o chefe de política estrangeira da União Européia  e outros diplomatas para negociar com o Irã irá dar maior crédito aos pacotes de incentivo. Isso também colocará a pressão de volta na mesa de Teerã. Além disso, dificultará que Pequim e Moscou resistam à imposição de uma nova rodada de sanções, caso o Irã permaneça obstinado.

Washington pode fazer ainda mais (em relação ao povo iraniano, à opinião internacional e possivelmente aos líderes do Irã) se na sequência oferecer abertura à Teerã.

Mas essa gestão alerta que essa negociação é "única" e que Burns não irá negociar com os iranianos ou realizar encontros separados com eles. O fato de Bush tentar a diplomacia para variar é muito bom. Mas ele pode fazer melhor se não anunciar sua ambivalência tão abertamente.

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