Editorial: Ataques de McCain revelam fragilidade de sua plataforma política

A vida política americana durante eleições tende a ficar feia, principalmente nas últimas semanas, e isso é triste. Mas o senador John McCain e a governadora Sarah Palin têm realizado uma das piores campanhas de que podemos nos lembrar.

The New York Times |

Eles foram muito além da rotineira tática de tirar frases de contexto e distorcer o histórico político de seu oponente (chegando a territórios sombrios como o racismo e a xenofobia). Ainda que senador Barack Obama tenha usado alguns golpes baixos contra McCain, não há comparação.

Apesar dos deslizes constantes (como se referir aos "comparsas" de Obama ou chamá-lo de "aquele lá"), McCain tentou uma aproximação mais respeitosa no debate presidencial da noite de terça-feira. Não foi fácil acompanhar a quantidade de vezes que ele chamou a platéia de "meus amigos". Mas além de prometer comprar hipotecas em dificuldades como presidente, o candidato não ofereceu respostas reais sobre como planeja resolver a profunda crise econômica do país. Ele não pode ou não quer admitir que foi a falta de respeito pela regularização por parte dos republicanos que causou tudo isso.

Noventa minutos de cordialidade forçada não apagam a sujeira vista nas últimas semanas nesta campanha, tampouco nos dá esperança de que ela não será retomada nesta quarta-feira.

Palin, em particular, gosta dos ataques. Seus comícios se tornaram um espetáculo de ódio e insultos. "Este não é um homem que vê a América você ou eu vemos a América", disse Palin em uma destas ocasiões.

A frase segue a nova linha de ataque de Palin na qual ela distorce o relacionamento mal recomendado que Obama manteve há muitos anos com William Ayers, fundador do Weather Underground e terrorista confesso.
Ao concluir, Palin simplesmente deu a entender que Obama ainda é amigo íntimo de Ayers  (e simpático a sua postura em relação à derrubada violenta do governo). O democrata, ela afirma, "vê a América, aparentemente, como uma nação tão imperfeita que se uniu aos terroristas que almejam seu próprio país".

Sua demagogia gerou algumas respostas assustadoras e intoleráveis. Uma matéria recente no Washington Post revelou que num comício na Flórida um homem gritou "matem-no!" quando Palin proferiu esta e outras frases e outros gritaram ameaças a um membro negro de uma equipe de TV.

Os assistentes de McCain não tentaram esconder suas táticas cínicas, dizendo que "iriam agir negativamente" na esperança de tirar a atenção da crise financeira (e das respostas incompletas do candidato republicano).

Nós certamente esperávamos mais de McCain, que já chegou a demonstrar desprezo por esse tipo de política. Ele foi prejudicado na temporada de primárias republicanas de 2000 exatamente por este tipo de acusação, orquestrada pelas mesmas pessoas que agora coordenam sua campanha.

A tática da culpa por associação é alarmante, principalmente porque McCain tem sua própria lista de associados políticos que preferiria esquecer. Nós ficamos desapontados ao ver a campanha de Obama veicular um comercial de TV (guardado para a ocasião) lembrando os eleitores do envolvimento de McCain no escândalo Keating Five, pelo qual ele foi repreendido pelo Senado. Mas aquele episódio pelo menos contesta as súplicas de McCain de ser um candidato moralmente puro e seu argumento de que apenas ele será capaz de acabar com a cobiça, a fraude e os abusos.

De certa forma, não deveria ser uma surpresa que McCain tenha baixado tanto o nível, desde que o debate mostrou mais uma vez que ele tem pouco a dizer de outra forma. Há muito tempo ele abandonou suas bandeiras na reforma imigratória e aquecimento global, suas falas sobre "vitória" no Iraque têm pouco a oferecer a uma nação preocupada com as guerras e sua ideologia inspirada em Reagan de resguardar o governo e abolir laços de regulamentação deixaram Wall Street em pedaços.

Mas, certamente, McCain e sua equipe podem criar uma resposta melhor ao problema do que incitar mais divisão, raiva e ódio.

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