Editorial - As viagens de Bush ao Oriente Médio mostram pouco avanço político do presidente

A visita de Bush ao Oriente Médio na semana passada foi uma oportunidade única para visualizar suas falhas políticas - e os perigos que seu sucessor irá enfrentar.

New York Times |

O Processo de Paz: em Israel, Bush falou novamente sobre sua visão de uma solução de biestatal com palestinos e israelenses vivendo lado a lado em paz. Mas depois de ignorar o conflito por sete anos, as negociações que abriu em Annapolis em novembro progrediram pouco. E Bush não usou sua viagem para pressionar ambos os lados à alguma concessão.

Os israelenses precisam parar todas as atividades de assentamento. Os palestinos precisam fazer mais para impedir os ataques a Israel. Os Estados Unidos precisam estar prontos para pressionar por uma proposta que inclua concessões, algo que Bush e sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, mostram pouco interesse em fazer.

Depois de uma estada de três dias em Jerusalém, Bush se encontrou com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, no Egito - não em Ramallah - um fato que foi percebido pelos palestinos. O próximo presidente terá que se comprometer muito mais e mais cedo com o processo de paz, apontar um time mais capaz e criativo de conselheiros e ser um mediador mais sensível e honesto do que Bush.

Arábia Saudita: dois meses depois que o vice-presidente Dick Cheney foi à Arábia Saudita para pedir um aumento na produção de petróleo, Bush foi lá pedir a mesma coisa. Os sauditas estavam dispostos a pouco, concordando com um modesto aumento que não fará nada para abaixar os preços nos postos americanos ou a melhorar a dependência americana de petróleo estrangeiro. Esse tipo de pedido não tem propósito. O próximo presidente terá que fazer muito mais para reduzir o consumo de combustíveis fósseis nos Estados Unidos e sua dependência dos sauditas.

Líbano: enquanto Bush viajava pela região, o governo pró-ocidente do Líbano perdia mais terreno para o Hezbollah. Bush ofereceu pouca ajuda ao primeiro-ministro Fouad Siniora - antes seu mensageiro na suposta melhora da democracia local - além de prometer acelerar a entrega de ajuda militar americana e pedir que os líderes árabes fiquem do lado de Siniora.

Bush ainda se recusa a falar com os defensores do Hezbollah - Irã e Síria - e acusou todos os que pedem as negociações diretas de protecionismo, um ataque nada sútil ao senador Barack Obama.

Bush fortaleceu os radicais da região com sua falha guerra no Iraque. Sua recusa em negociar também torna fácil para o Irã perseguir suas ambições nucleares. O próximo presidente precisa de uma postura muito melhor.

Iraque, Afeganistão, Paquistão: no Egito, Bush também se encontrou com líderes dos três países que serão os maiores desafios de seu sucessor: planejar e executar uma retirada ordenada do Iraque, derrotar a Al-Qaeda e o Taleban no Afeganistão e ajudar o Paquistão (armado nuclearmente) a derrotar os mesmos extremistas sem que se rebele. Ele não progrediu em nenhum desses perigosos frontes.

Os americanos precisam saber dos candidatos à presidência - agora - sobre como planejam reverter seu desastroso legado.

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