Editorial ¿ As florestas tropicais e o aquecimento do planeta

Um grande defeito do Protocolo de Kyoto de 1997 sobre mudanças climáticas foi seu fracasso em abordar as grandes quantidades de emissão de gases estufa, causadas pela destruição das florestas tropicais do mundo.

The New York Times |


Uma proposta segundo a qual os países ricos poderiam compensar parte de suas emissões ao pagar regiões mais pobres para deixar suas florestas intactas foi derrubada após a objeção de grupos ambientais europeus. Eles argumentaram que isso permitiria que os países ricos comprassem uma forma de abandonar suas próprias obrigações. O planeta tem pago por esse erro grave desde então.

O desmatamento é responsável por um quinto dos gases estufa do mundo ¿ quase o mesmo que as emissões da China, mais do que as emissões geradas por todos os caminhões e carros do mundo. E o mundo está fazendo muito pouco para parar isso. Cerca de 30 milhões de acres de florestas tropicais desaparecem todo ano, destruindo biodiversidades e despejando bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera.

O plano para o aquecimento global, que agora tramita na Câmara, busca mudar sua dinâmica destrutiva de duas maneiras. Ele pretende montar um sistema de troca de carbono que pode levantar mais de US$ 60 bilhões anualmente por meio de vendas de concessões de poluição. Desta quantia, 5% seriam voltados para ajudar a evitar o desmatamento, seja por meio de um fundo internacional especial ou privilégios bilaterais aos países pobres.

Além disso, o projeto levaria em conta os tipos de compensações propostas e rejeitadas em Kyoto, no Japão. Por exemplo, a companhia de energia que tenha problema em encontrar um limite para suas emissões poderia cumprir algumas obrigações ao pagar pela redução do desmatamento em outro lugar do mundo.

A economia faz sentido. É relativamente barata a forma pela qual as nações industrializadas conseguem crédito para reduzir suas emissões globais enquanto fazem os investimentos necessários para controlar sua própria poluição. E é um bom acordo para os países pobres. O Banco Mundial estima que um acre de floresta tropical convertido em safras vale de US$ 100 a US$ 250. Esse pedaço de terra vale muito mais sob um sistema que coloca um valor sobre o carbono. Em média um acre contém cerca de 200 toneladas de carbono; assumindo um preço baixo de US$ 10 por tonelada, esse acre de repente passa a valer US$ 2 mil.

Porém, ainda haverá o grande esforço de exigir a resistência a lenhadores, mineiros, fazendeiros e políticos, que têm suas formas de lidar com as florestas tropicais há anos. E qualquer plano deve incluir guardas de segurança e inspeção dos mecanismos para garantir que as concessões e compensações estejam sendo usadas adequadamente.

Mas com a diminuição das florestas tropicais e o aquecimento do planeta, é crucial conseguir os incentivos certos de forma correta ¿ primeiro, como parte da ampla legislação de mudanças climáticas nos EUA e, então, parte do novo tratado global que as nações do mundo esperam negociar no próximo semestre.


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