Editorial: Ao colocar Bolívia em lista negra, EUA entregam o jogo a Morales

Entendemos porque a gestão Bush e o Congresso estão cansados do presidente da Bolívia, Evo Morales. A Bolívia deixou de cooperar com os Estados Unidos na luta contra os narcóticos, como revela o aumento do cultivo de coca no país. Além disso, Morales regularmente ostenta sentimentos antiamericanos para prejudicar a oposição e desviar a atenção da fraca performance de seu governo. No mês passado, Morales expulsou o embaixador americano, Philip Goldberg.

The New York Times |

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O Congresso respondeu a isso ao votar na ampliação das preferências por negócios Andinos na semana passada e limitou benefícios de isenção fiscal para a Bolívia e o Equador (que expulsou os militares americanos da base localizada na cidade costeira de Manta) a seis meses, com a possibilidade de prorrogação por outros seis.

A Casa Branca, enquanto isso, propôs a suspensão dos benefícios de mercado da Bolívia como um todo. Isso seria uma derrota e prejudicaria a estratégia contra as drogas (que busca retirar fazendeiros pobres do cultivo de coca ao abrir o mercado americano para outros produtos), além de entregar o jogo a Morales.

Morales não se cansa de dizer que a Bolívia não irá "se submeter ou retroceder" às vontades de Washington e ele ampliou suas negociações com o Irã e a Venezuela. Depois que a Bolívia foi classificada como não disposta a cooperar com os esforços antidrogas americanos no mês passado, o governo em La Paz afirmou que iria buscar ajuda (e helicópteros militares) na Rússia. Na semana passada, o país rejeitou um pedido americano de sobrevoar seu território com um avião antidrogas.

Geralmente é uma má idéia ligar programas de ajuda externa que são do interesse dos Estados Unidos ao comportamento de governos estrangeiros. "Tirar o certificado" de países que não colaboram na luta contra as drogas sempre pareceu algo incorreto, uma forma de prejudicar os objetivos de Washington na América Latina.

A gestão Bush parecia ter entendido essa lógica. Quando colocaram a Bolívia na lista negra no mês passado também revelaram possíveis sanções ao país. Infelizmente, a raiva justificada em relação à expulsão de Goldberg parece ter prejudicado este julgamento. A gestão deve reconsiderar.

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