Editorial: Americanos têm pouco tempo para repensar a frágil situação do Paquistão

As forças militares paquistanesas ameaçam disparar contra tropas americanas que voltem a realizar ataques em seu território. Não se sabe se a ameaça é real ou apenas uma mensagem para consumo doméstico, mas o perigo de erro nesta questão é real e seria catastrófico para ambos os países.

The New York Times |

A decisão do presidente Bush de autorizar as Operações Especiais alocadas no Afeganistão a perseguir militantes na fronteira com o Paquistão foi uma medida desesperada. O presidente da União dos Chefes de Equipe, Mike Mullen, admitiu no começo deste mês que a América e seus aliados têm "pouco tempo" para salvar o Afeganistão.

Nós certamente compartilhamos este ponto de vista alarmante e sua frustração de que os paquistaneses estejam fazendo pouco para derrotar os extremistas ou impedir que eles ataquem o Afeganistão. Mas Bush e seus conselheiros também deveriam se preocupar com a deteriorização da situação no Paquistão (e o atentado de sábado no Marriott Hotel de Islamabad é apenas um dos sinais disso) e trabalhar muito mais para criar uma política que apoie o frágil governo civil paquistanês e receba seu apoio na luta contra os extremistas.

Caso uma patrulha americana capture algum líder importante da Al-Qaeda ou do Taleban, a reação pode ser válida. Mas caso haja possibilidade de se expulsar os extremistas das regiões tribais isso terá que ser feito pelas forças militares paquistanesas, com apoio de programas de fomento ao desenvolvimento econômico e político.

Para isso, Washington precisa finalmente persuadir os líderes paquistaneses de que essa não é uma luta apenas americana mas essencial para sua própria segurança e sobrevivência como uma democracia. Sobre isso, os líderes do Paquistão precisam persuadir seus cidadãos.

O aumento no número de mortes entre civis, em ambos os lados da fronteira, leva cada vez mais pessoas às mãos repressivas do Taleban e outros grupos extremistas. Estes ataques também fazem com que o novo presidente paquistanês pareça fraco e irrelevante.

Sem dúvida ele é um líder falho, com pouca experiência política e histórico de corrupção, mas merece uma chance e o apoio americano para cumprir suas promessas de melhorar a democracia, limpar os serviços de inteligência do país e trabalhar em conjunto com os Estados Unidos para derrotar o terrorismo.

Zardari deu os primeiros passos ao convidar o presidente do Afeganistão Hamid Karzai para sua cerimônia de posse. Em seu discurso ao Parlamento no sábado (horas antes do atentado) ele disse que seu governo não permitiria que terroristas atacassem qualquer país vizinho de seu solo e que não toleraria novas incursões americanas.

Mullen realizou uma viagem ao Paquistão na semana passada e autoridades do Pentágono dizem estar revendo a estratégia geral em relação ao país. Qualquer novo plano deve se preocupar muito mais em não causar novas mortes entre civis e apoiar, e não prejudicar, os líderes civis paquistaneses. O Congresso pode fazer sua parte ao aprovar um pacote de ajuda de US$ 7,5 bilhões, que deve fortalecer as instituições democráticas do Paquistão e suas capacidades contra a insurgência.

O Pentágono também precisa criar uma estratégia melhor para sua presença no Afeganistão. Os comandantes alertaram que a promessa de Bush de enviar 4,500 novos homens não é suficiente. Nós tememos que Mullen esteja certo: não há muito tempo para ação (em ambos os lados da fronteira).

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