Editorial - Ameaças desastrosas ao Irã

Os líderes israelenses passaram a última semana debatendo o Irã e ameaçando possíveis ações militares. Os Estados Unidos e outras grandes potências mundiais precisam lidar com as ambições nucleares de Teerã, mas com uma diplomacia mais direta ¿ incluindo uma maior pressão financeira - sem ameaças ou propostas de guerra.

The New York Times |

O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, que está envolvido em um escândalo de corrupção que pode tirá-lo do poder, conduziu as acusações. "A ameaça iraniana precisa ser interrompida de qualquer forma", ele disse em Washington, um dia ante de se encontrar com o presidente Bush na Casa Branca.

O então ministro dos transportes de Israel, Shaul Mofaz, que se prepara para substituir Olmert como líder do partido de situação Kadima caso o primeiro-ministro seja obrigado a renunciar, declarou que um ataque israelense aos sítios nucleares do Irã parece "inevitável".

Nós não sabemos o que acontece por trás das cortinas em Washington ou o que Olmert ouviu de Bush - mas exibir poder bélico não é uma estratégia válida. Um ataque ao Irã por qualquer um dos países seria desastroso.

Ao contrário de 1981, quando Israel destruiu o reator nuclear do Irã em Osirak, hoje não há um alvo único. Uma campanha de bombardeio contínuo tiraria a vida de muitos civis e ainda não acabaria com o programa nuclear iraniano. Teerã também tem muitos formas de retaliar tal ação. Mesmo os Estados árabes que temem o Irã tremem ao pensar na possibilidade da América, ou seu aliado Israel, bombardear outro país muçulmano e a resposta que isso pode gerar.

Olmert pode estar tentando tirar a atenção de seus problemas políticos. Ainda assim, não há como evitar um crescente e compreensível senso de urgência em Israel, que o presidente do Irã ameaçou com aniquilação. Um relatório recente dos inspetores das Nações Unidas sobre o progresso do programa nuclear iraniano, e preocupantes elos com programas militares, apenas piorou esses temores.

Javier Solana, chefe de política externa da União Européia, deve visitar Teerã ainda esse mês para debater, em detalhes, um pacote de incentivos oferecido em 2006 pelos Estados Unidos e outras grandes potências. O resultado ficará aquém do desejado - tanto em relação aos incentivos quanto em relação à punição para atrair a atenção de Teerã.

Não há indícios de que haverá grandes sanções - que inclua uma ampla proibição de negociações com bancos iranianos, a venda de armas e novos investimentos. Também é preciso um compromisso maior de Washington para evitar as sanções e responder ao Irã caso abandone suas ambições nucleares. Os Estados Unidos são a maior potência que não enviará um diplomata com Solana.

Os senadores Barack Obama e John McCain discordam em relação às negociações diretas com o Irã (Obama faria; McCain não). Mas na semana passada, ambos apoiaram maiores sanções, incluindo limitar a quantidade de gasolina exportada ao país. Esse é um ideal que vale a pena ser explorado. O Irã depende de meia dúzia de companhias para 40%  de sua importação de gasolina. O Conselho de Segurança da ONU não deve autorizar uma pressão maior, mas apelos silenciosos da América e Europa podem persuadir algumas companhias a diminuir suas exportações e isso pode conquistar a atenção de Teerã.

Em sua viagem à Europa essa semana, o presidente Bush deve pressionar os europeus à reduzir a exportação ao Irã e cortar relações com as instituições financeiras do país. Ele também precisa deixar claro que a América fará a sua parte em relação aos incentivos. Nós gostaríamos que ele tivesse a vontade e a capacidade para propor uma grande negociação e para enviar a Secretaria de Segurança Condoleezza Rice para efetuá-la. Infelizmente, não há sinais disso. No mínimo, ele deveria mandar uma autoridade de alto escalão acompanhar Solana.

Caso sanções e incentivos não resolvam o problema, as vozes que pedem ação militar se tornarão mais fortes. Não importa o que os assistentes dizem a Bush e Olmert ou o que eles dizem entre si um ataque ao Irã seria desastroso.

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