Editorial: Acordo com a Índia alimenta apetite nuclear do mundo

O presidente Bush não conseguiu atingir muitos de seus objetivos na política externa, mas no último final de semana mostrou que ainda conquista o que realmente quer. Sua equipe pressionou e obteve a aprovação de um acordo nuclear mal concebido com a Índia.

The New York Times |

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A decisão do Grupo de Fornecimento Nuclear formado por 45 países (e que regulariza o mercado) significa que pela primeira vez em 30 anos, desde que Nova Déli usou seu programa civil para criar uma bomba, o mundo pode vender combustível e tecnologia nuclear para a Índia.

Bush e sua equipe argumentam que a Índia é uma importante democracia e rejeitaram alertas de que mudar as regras tornaria mais difícil pressionar o Irã e outros países a abandonarem suas ambições nucleares.

A Casa Branca agora irá tentar pressionar o Congresso para que assine rapidamente o acordo. O Congresso deve resistir a essa pressão.

O acordo nuclear nasceu de uma má ideia. Bush e sua equipe precisavam tanto de um acordo bem sucedido que entregaram o ouro. Eles não obtiveram uma promessa da Índia de que irá parar de produzir materiais que podem ser usados em bombas, ampliar seu arsenal e retomar os testes nucleares.

Essa gestão (e os caros lobistas da Índia) conseguiram persuadir o Congresso em 2006 a dar seu apoio preliminar. Mas o Congresso insistia em algumas condições fundamentais, incluindo a suspensão dos negócios nucleares caso o país testasse alguma arma.

Isso não impediu que a Casa Branca insistisse em termos mais generosos dos grupos fornecedores. Quando a Nova Zelândia e um grupo de países razoáveis tentou impor restrições similares, essa gestão se retirou das paradas diplomáticas. (As autoridades informaram orgulhosamente que a secretária de Estado Condoleezza Rice fez meia dúzia de ligações para os governos de todo o mundo pedindo apoio ao acordo com a Índia.)

O grupo de fornecedores deu seu apoio depois que a Índia disse que irá respeitar uma moratória voluntária aos testes (mas nada exige que seu suprimento seja cortado caso não cumpra essa promessa).

Isso significa que se a Índia testar uma arma nuclear poderá passar por cima de fornecedores americanos e continuar a comprar combustíveis e tecnologia de vendedores menos exatos. Sejamos claros a respeito disso, essa gestão prejudicou companhias americanas quando pediu mais regras facilitadoras do que aquelas escritas na lei do nosso país.

As restrições do Congresso foram uma tentativa válida de limitar o estrago deste acordo e manter um pouco da credibilidade americana quando se trata de restringir a disseminação de armas nucleares.

Os legisladores devem resistir à consideração do acordo até que o novo Congresso assuma em janeiro. Além disso, devem insistir que no minimo as restrições já escritas na lei do país sejam respeitadas.

O próximo presidente terá que fazer um trabalho muito melhor para conter o crescente apetite nuclear do mundo. Para isso, ele precisará de toda a autoridade moral e mediação que conseguir.

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