Editorial - A tocha da liberdade

Depois dos protestos enfrentados com a passagem da tocha Olímpica por Londres e Paris o governo chinês está em busca de uma assessoria que recupere a imagem do País antes dos jogos de 2008, que acontecem em agosto. Para entrar no espírito Olímpico nos dispusemos a ajudar a China, sem custo nenhum.

New York Times |

Siga esses conselhos: pare de prender dissidentes. Pare de espalhar mentiras a respeito do Dalai Lama e negocie maiores liberdades religiosas e culturais para o Tibete. Pare de facilitar o genocídio promovido pelo Sudão em Darfur. Em outras palavras, comece a agir sobre sua promessa ao Comitê Olímpico Internacional - que incluía liberdade de expressão e de protesto.

Infelizmente é típico dos regimes autoritários assumir que protestos do tipo que acompanham a tocha Olímpica são provocações instigadas por adversários internacionais. O mesmo ocorreu quando os Estados Unidos e diversos outros países boicotaram os jogos de 1980 em Moscou por conta da invasão Soviética ao Afeganistão. Tendo suprimido todos seus dissidentes locais estava além da compreensão dos líderes do Kremlin que suas ações pudessem enfurecer as pessoas a ponto delas agirem por conta própria.

Da mesma forma a autoridade comunista da China tem instigado ressentimentos nacionalistas entre seus cidadãos alegando que os protestos contra sua política repressiva são armados por forças estrangeiras hostis determinadas a destruir a grande festa Olímpica chinesa. A raiva popular facilita a prisão de dissidentes, sufoca a mídia e a transferência da culpa ao "séquito do Dalai Lama" no exterior por problemas no Tibete.

Uma vez que o governo chinês não hesita em montar "demonstrações espontâneas" a favor de sua política não é tão difícil para eles imaginar que seus "inimigos" façam o mesmo. Dessa concepção surge a patética idéia de que uma assessoria possa resolver os protestos do dia para a noite. Não pode e não vai.

Ninguém esperava que a China se democratizasse instantaneamente e, dado o enorme poder econômico do País, ninguém realmente quer se opor à Beijing. Mas uma nação que se propõe a sedear os Jogos Olímpicos também precisa demonstrar que merece essa honra. A China só pode culpar a si mesma por estragar a festa que está por chegar.

    Leia tudo sobre: chinaolimpíada

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG