Editorial - A questão do Salmão

A decisão do governo federal de proibir a pesca de salmão da costa da Califórnia ao centro do Oregon é um golpe duro aos pescadores e à economia costeira.

The New York Times |

Essa decisão é necessária se quisermos que haja alguma esperança de recuperação do salmão. Significará ainda mais se conseguir levar o Congresso a investigar a crise, expor as políticas direcionadas da administração Bush e persuadir o novo presidente da necessidade de reconstruir a população de salmão selvagem e as economias que dependem dela.

A corrida do salmão Chinook Rio Sacramento acima acabou. A quantidade de peixes que retornam para procriar, que se manteve estável durante muitos anos em 475 mil, caiu para 90 mil no ano passado e menos da metade disso esse ano.

Dois fatores são os principais suspeitos. O governo federal cedeu às demandas dos interesses agrícolas e desviou tanto o curso do rio Sacramento que muitos salmões pequenos, que precisam da correnteza para impulsioná-los, não conseguiram chegar ao mar. Os cientistas também acreditam que temperaturas anormais no oceano, possivelmente relacionadas ao aquecimento global, podem ter prejudicado a alimentação dos peixes que conseguiram ir rio abaixo.

Dois outros sistemas costeiros antes ricos em salmão também estão com problemas. A bacia do Rio Klamath passou por baixas devastadoras em 2005 e 2006. Já na enorme bacia do Rio Columbia-Snake, uma dezena de diferentes espécies de salmão selvagem estão em extinção. Em ambos os casos, a política federal que desproporcionalmente favoreceu interesses de geração de energia e usuários agrícolas tem grande culpa.

No sistema Columbia-Snake, onde as barragens são enormes problemas, o juiz distrital de Oregon James Redden rejeitou três planos de recuperação federais, inclusive um da administração Clinton. Ele ameaçou assumir o controle das barragens caso Washington não apresente um plano de recuperação dos peixes que seja aceitável.

A delegação congressional da Califórnia afirmou na semana passada que irá pedir cerca de US$150 milhões em ajuda para a população costeira. Um plano de recuperação a longo prazo seria muito mais valor.

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