Editorial: A mulher que as autoridades do Irã temem

Os homens comandam os mais significativos bastões do poder político no Irã, mas é uma mulher que eles temem. Caso contrário, porque o governo liderado pelos mulás tentaria calar as operações de Shirin Ebadi?

The New York Times |

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Ebadi, advogada e líder dos ativistas dos direitos humanos do seu país, foi a primeira mulher muçulmana a vencer o Prêmio Nobel da Paz. Na segunda-feira, autoridades atacaram seu escritório, carregando seus computadores e os documentos de seus clientes. Uma semana antes, fecharam seu Centro de Defensores dos Direitos Humanos, uma coalizão de grupos pelos direitos humanos e outros ativistas cujos membros planejaram celebrar os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Quando ela foi avisada sobre o Nobel da Paz de 2003, o comitê chamou Ebadi de uma pessoa corajosa por se posicionar contra o governo ameaçador do Irã. Desde então, ela tem recebido repetidas ameaças de morte por parte de grupos radicais e regulares intimidações por parte do governo. A coragem nunca vacilou.

Com as eleições presidenciais marcadas para junho, o presidente Mahmoud Ahmadinejad e seus aliados aparentemente decidiram que não poderiam correr o risco de deixar Ebadi continuar o trabalho que ela tem feito com tanta distinção (e sem nenhum pagamento) nos últimos 15 anos ¿ expondo as violações dos direitos humanos por parte do governo e defendendo os ativistas dos direitos humanos e da democracia. 

Não há dúvidas de que as autoridades estavam insatisfeitas com um relatório produzido pelo centro dela e citado recentemente pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, quando a Assembleia Geral aprovou uma resolução não obrigatória condenando o histórico dos direitos humanos do Irã. Mas suspeitamos que as ambições das autoridades iranianas vão mais além do que tentar suprimir um relatório. Estão claramente tentando intimidar Ebadi e outras vozes independentes do Irã. Isso não pode acontecer.

Nós condenamos os maus tratos de Teerã com essa mulher de extraordinária honra e coragem. Pedimos que EUA, Europa e outras potências continuem pressionando o Irã para assegurar que outras agressões não atinjam Ebadi e que ela se mantenha livre para realizar seu trabalho tão essencial.

Se Teerã quer se livrar das críticas internacionais, ela deveria começar aderindo à Declaração Universal dos Direitos Humanos e respeitando os direitos de todos os seus cidadãos.

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