Editorial - A imigração e o trabalho ilegal por baixo dos panos

Todo americano que tem um emprego ou quer um precisa seguir os debates a respeito do combate a contratação de imigrantes ilegais no Congresso. A confirmação da empregabilidade é uma das poucas idéias ainda defendidas no Capitólio depois do Senado derrubar uma série de reformas imigratórias. Chata e complicada - por envolver enormes bancos de dados - ela é uma das poucas soluções que afetarão todos os trabalhadores dos EUA, nativos ou não.

The New York Times |

Dois projetos da Casa - o ato Save, defendido por Heath Shuler, e o ato de Nova Verificação de Empregabilidade, de Sam Johnson - foram criados para expulsar imigrantes ilegais do País ao impedir que eles consigam empregos. A reforma imigratória já é um tema complicado, mas a confirmação de empregabilidade é algo demoníaco.

Ela tem início em bancos de dados falhos, nos quais todos teriam que se apoiar para conseguir ou trocar de emprego. Pense na lista de pessoas que não podem embarcar aeronaves comerciais, o banco de dados de origem duvidosa e falhas misteriosas que você, passageiro, precisa corrigir caso esteja nele e queira voar. Essas leis imigratórias transformam listas pequenas e terrivelmente defeituosas como essa em algo de escala nacional. Milhões de cidadãos podem ser considerados não aptos a trabalhar, considerando a taxa de erro de cerca de 4%.

E isso é só o começo. O Gabinete de Orçamento do Congresso afirma que o ato Save custaria US$40 bilhões nos próximos 10 anos, aumentando a perda da arrecadação fiscal e gastos em coisas como juizes especializados. Isso provavelmente devastaria o Sistema de Previdência Social, que já se encontra prejudicado por conta dos benefícios a deficientes e a aposentadoria maciça de pessoas da geração "baby boom".

O problema não é com a verificação da empregabilidade em si. Imigrantes ilegais não deveriam poder trabalhar e qualquer sistema que seja racional e legal deve ter o apoio de um banco de dados de contratação. O problema com leis como essa é que elas não corrigem os erros no banco de dados antes e são unicamente uma medida de cumprimento da lei, que não apresenta caminho algum para a legalização de trabalhadores sem documentos.

Imagine um sistema de verificação da força de trabalho construído sobre um banco de dados que funcione perfeitamente - mas sem caminho para a legalização. Nesse mundo, uma companhia honesta que descubra que tem funcionários ilegais terá que optar entre demissão ou tirá-los de seus registros. Quantas escolheriam a segunda opção?

Outros tipos de empregadores, que já contratam por baixo dos panos seriam encorajados uma vez que milhões de trabalhadores escondidos nas sombras não teriam mais para onde ir. (Eles não irão se deportar em massa, não importa o que o digam). Trabalhadores americanos sofreriam ainda mais com a concorrência desleal dos imigrantes ilegais, e não menos.

Enquanto isso, alguns empregadores iriam abusar do sistema, pré-selecionando candidatos, evitando e discriminando os não-nativos, não informando aos trabalhadores os seus direitos, demitindo quando bem entendessem.

Por favor, por que mesmo nós queremos isso?

Ah, para proteger os trabalhadores americanos.

Para isso seria necessário, no mínimo, corrigir o banco de dados de empregados antes de iniciar um experimento de verificação enorme e nunca testado e que será imposto como parte de uma reforma ainda mais ampla que permita que os mais de oito milhões de trabalhadores sem documentos fiquem legais. Do contrário, estaríamos incentivando que milhares de empregados e trabalhadores façam contratos por baixo dos panos e isso é exatamente onde começamos, bilhões de dólares e empregos atrás.

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