Editorial: A gripe suína

Será a gripe suína, que matou tantas pessoas no México e se espalhou para os Estados Unidos e outros países, o começo de uma temida pandemia? Ou não passa de mais um falso alarme - o último em uma longa história de preocupação de que um dia algum vírus mortal da gripe pode atingir o mundo e matar milhões de pessoas, como fez entre 1918 e 1919?

The New York Times |

A esta altura, a resposta é que ninguém sabe ao certo. Há elementos preocupantes na gravidade dos sintomas que apareceram no México, em comparação ao comportamento mais mediano do vírus nos Estados Unidos. Os especialistas claramente precisam aprender mais sobre as origens, transmissibilidade e mortalidade do novo vírus nas próximas semanas.

O presidente Barack Obama usou o tom correto na segunda-feira ao dizer que há motivo para preocupação e para um estado de alerta maior, mas sem razão para alardes. Apesar do novo vírus da influenza ser suspeito de matar 149 pessoas e adoecer outras 1.600 no México, até o momento os números são muito menores nos Estados Unidos. Registramos 40 casos confirmados de gripe suína, a maioria (28) associada a uma única escola preparatória do Queens, cujos estudantes estiveram no México recentemente.

Além de Nova York, apenas outros quatro Estados têm casos confirmados: sete na Califórnia e um ou dois no Texas, Ohio e Kansas. A doença se mostrou mediana, apenas um paciente foi hospitalizado e nenhum morreu. Quatro ou cinco dias depois de ver os primeiros sinais da gripe suína em Nova York, ainda não há evidências de que ela tenha se espalhado.

Esta situação pede vigilância e uma cuidadosa preparação para o pior. Oficiais da saúde tomaram as medidas necessárias, se preparando para distribuir um quarto das vacinas anti-gripe do estoque estratégico do governo a Estados e localidades que podem ser atingidos por uma onda de casos da gripe suína.

Eles também tomaram as medidas preliminares em direção a uma possível formulação da vacina que combateria o novo vírus. Apesar de levar meses para ser produzida, tal vacina poderia estar pronta caso uma nova onda de gripe suína surja durante a próxima temporada da gripe.

Indivíduos que se sentirem mal devem ficar em casa para não infectar outras pessoas. Eles devem cobrir seus narizes e bocas quando espirrarem. Pessoas saudáveis são aconselhadas a evitar os doentes, lavar suas mãos constantemente com água em abundância, e tentar manter a saúde. Máscaras faciais são de valor não comprovado.

Os oficias também recomendam que os americanos evitem "viagens não essenciais" ao México enquanto criticavam um alerta similar de uma autoridade sanitária da União Europeia contra viagens aos Estados Unidos. A reclamação americana é menos protecionista do que pode parecer, uma vez que a doença é mais grave e disseminada no México.

A Organização Mundial de Saúde aumentou seu grau de alerta para a gripe suína na segunda-feira, mas não recomendou o fechamento de fronteiras ou a restrição de viagens internacionais.

Enquanto oficiais de saúde lutam para restringir este vírus de rápida mobilidade, é preocupante que a gestão Obama tenha poucos de seus oficiais de saúde a postos.

O Senado, atrasado por objeções republicanas, finalmente agendou a audiência de confirmação de Kathleen Sebelius como secretária de serviços humanos e de saúde na terça-feira. Além disso, a Casa Branca ainda tem que anunciar um indicado como diretor do Centro de Controle e Prevenções de Doenças. Estes são os dois cargos cruciais para lidar com a epidemia de uma doença contagiosa.

O oficial responsável pelo CCPD insiste que a ausência de uma liderança não tem afetado como as agências de saúde respondem à ameaça e pode estar certo. Mas se a gestão Obama for julgada, como deveria ser, pela forma como lida com uma possível crise, seria melhor ter uma equipe inteira à disposição.

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