Editorial: a falta de propósitos no Oriente Médio

A viagem da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, chega num momento em que a raiva e as frustrações entre israelenses e palestinos atingem níveis perigosos. Contudo, a liderança e a direção dos Estados Unidos, essenciais nos dias de hoje, infelizmente falharam mais uma vez.

The New York Times |

Seguramente, Rice entende que a famosa frase de Woody Allen, 80% do sucesso é estar presente, não se aplica ao grande desafio de estabelecer a paz na zona sangrenta do Oriente Médio.

Embora tenha realizado 14 viagens para a região nos últimos 15 meses ¿ e ainda comparecido à conferência de paz de novembro em Annapolis - Rice viu poucos resultados despontarem de sua presença.

De qualquer forma, ambos os lados estão ainda mais distantes do que se encontravam no mês de novembro; o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, possuem menos possibilidades de negociação.

Israel marcou a visita de Rice ao concordar em remover 50 de suas barreiras localizadas em estradas que interrompiam as viagens na Cisjordânia. Mesmo assim, outras 530 permanecerão no local, mesmo número que o registrado em 2007. Se houve qualquer boa vontade, esta foi totalmente desmantelada quando, horas após a secretária deixar o país, Israel anunciar que queria construir 800 novas casas para famílias judias na Cisjordânia. Abbas se comprometeu a desenvolver mais esforços contra o terrorismo ¿ promessa esta que já havia feito anteriormente ¿ e concordou em acabar com o boicote nas reuniões com Olmert.

Apenas colocar os planos no papel não funciona de forma efetiva, ao menos que Washington pressione para verdadeiros compromissos, únicas bases para um entendimento. O presidente Clinton propôs um esboço em 2000: segurança em Israel e uma economia viável para o Estado Palestino, incluindo compromissos racionais sobre Jerusalém.

Se Washington não deixar claro seu comprometimento com a paz na região, não se pode esperar que líderes israelenses e palestinos corram os riscos políticos necessários para um compromisso verdadeiro.

Eles, bem como Washington, ainda terão de enfrentar a realidade conturbada do Hamas, que difunde uma propaganda anti-semita e que lança mísseis mortíferos sobre cidades israelenses. O primeiro passo essencial é estimular esforços do Egito e outras nações árabes, de modo a pressionar o Hamas para o cessar-fogo.

Se isso é possível, os Estados Unidos e Israel deveriam começar a explorar as possibilidades de diálogo diretamente com o Hamas, de um modo que não exclua ainda mais o Abbas.

Agir desta forma não aprova os métodos passados ou as futuras ações do Hamas, mas reconhece que o grupo tem um forte eleitorado ¿ e para o estabelecimento de uma paz estável na região, é fato que estes palestinos deverão ser incluídos.

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