Editorial: A equipe de segurança nacional de Barack Obama

Depois de anos observando a liderança americana ruir sob o peso de más decisões feitas por uma Casa Branca fechada a qualquer debate, a equipe de segurança nacional do presidente eleito Barack Obama é um alívio.

The New York Times |

Começando pela escolha de Hillary Rodham Clinton, sua antiga rival, como secretária de Estado, o presidente eleito mostrou sua habitual auto-confiança. Declarando que valoriza "personalidades forte e opiniões fortes", Obama, que tem pouca experiência em política externa, mostrou que quer conselheiros com autoridade real que não terão medo de discordar dele (duas qualidades inexistentes na equipe do presidente Bush).

Obama foi atrás do establishment de  Washington (de forma bipartidária) e pediu que o secretário da Defesa Robert M. Gates permaneça no cargo e indicou o general James L. Jones, ex-comandante da Otan que aconselhou tanto Obama quanto o senador John McCain durante a campanha eleitoral, como seu conselheiro de segurança nacional.


Obama anuncia Hillary Clinton como futura secretaria de Estado / AP

Mas Obama também deixou claro que sua gestão irá seguir um novo rumo, reafirmando seus planos de remover as tropas americanas do Iraque em 16 meses, se comprometendo a reafirmar alianças enfraquecidas e rejeitando a dependência extrema do poder militar e das ameaças de Bush. Obama declarou que pretende usar "todos os elementos do poder americano: militar e diplomacia, inteligência e instituição da lei, economia e o poder de nosso exemplo moral".

Há muito admiramos Clinton por sua determinação e bom senso e acreditamos que ela assumirá seu novo cargo em um momento crítico. Além disso, ela já tem estatura internacional, conhece líderes mundiais e serviu no Comitê de Serviços Armados do Senado.

Como Obama disse, ela é "forte e inteligente e disciplinada". Certamente, a escolha dela indica uma ruptura radical com a desastrosa forma como o vice-presidente Dick Cheney lidou com grande parte da política externa e de segurança nacional.

Outra falha da gestão Bush foi que nem o presidente nem seus dois secretários de Estado eram pessoas "envolvidas" que poderiam estabelecer um objetivo de política externa (paz entre israelenses e palestinos, por exemplo) e então colocar em prática uma estratégia para conquistá-lo. Acreditamos que o duo Obama-Clinton fará exatamente isso.

Apesar de seus debates nas primárias presidenciais, eles compartilham uma visão mais ampla, inclusive o reconhecimento de que as tropas americanas precisam sair do Iraque para se concentrar no Afeganistão, onde o Taleban e a Al-Qaeda são ressurgentes. Gates, que nunca foi membro do grupo neo-conservador que levou os Estados Unidos ao Iraque, compartilha desta opinião.

Para evitar conflitos de interesse em relação ao cargo de sua mulher, o ex-presidente Bill Clinton concordou em revelar publicamente o nome de mais de 200 mil doadores que contribuem com sua fundação e a pedir aprovação ao governo para qualquer participação futura em palestras. Gostaríamos que ele tivesse feito isso antes e esperamos que os advogados responsáveis por estas aprovações tenham cautela (nada de palestras pagas pelo Cazaquistão, por exemplo).

As escolhas de Gates e do general Jones devem facilitar o relacionamento imediato de Obama com o Pentágono. Os líderes militares tendem à política republicana e geralmente desconfiam presidentes que não serviram as forças armadas do país, como fizeram inicialmente com Bill Clinton. Quando os Estados Unidos estão combatendo em duas guerras, bons laços com os militares são fundamentais. Obama parece ter conseguido pontos extras ao pedir a opinião de comandantes importantes, como o general David Petraeus.

Os desafios que Obama enfrentará não podem ser menosprezados e ele precisará de uma equipe forte a seu lado. As escolhas anunciadas na segunda-feira são um ótimo começo.

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