Editorial - A cura para a crise na emissão de papel-moeda

O Federal Reserve chegou a admitir na semana passada que baixar os índices de juros (até mesmo para zero) não seria o suficiente para recuperar a economia. Por isso, optou pela cura da emissão, prometendo injetar grandes quantidades de papel-moeda nos bancos, empresas financeiras, negócios e lares.

The New York Times |

A história econômica (da Grande Depressão dos anos 1930 e da perda do Japão na década de 1990) sugere que o Fed está fazendo a coisa certa. Confrontados na época, assim como agora, com o desafio combinado do aprofundamento da recessão e da principiante deflação, os governos causaram mais danos ao intervir pouco do que teriam feito caso tivessem interferido demais. Mas isso não faz com que qualquer intervenção seja "boa". O ato é em si um grande e infeliz risco.

Inundar a economia com dinheiro recém-impresso pode impedir uma queda auto-infligida. Mas também pode causar problemas muito depois que o perigo presente tiver passado. Um dos motivos disso é que pode haver gerar inflação mais tarde. No pior dos casos, a inflação, ou o medo da inflação, pode afastar investidores estrangeiros, que financiam a dívida dos Estados Unidos, de comprarem dólares americanos. Isso, por sua vez, pode gerar uma queda desordenada no valor da moeda, elevando preços e juros.

Para o Fed, criar o novo programa de resgate é um desafio técnico. O órgão teria que conseguir drenar os dólares excedentes na hora certa, além de precisar estar vigilante para os sinais de que o dólar não está exercendo pressão inapropriada e estar preparado para agir quando necessário.

Para Barack Obama, o desafio é a liderança. Como presidente, ele terá que passar otimismo sem prometer demais. Obama terá que inspirar confiança, mesmo diante da falta de mudanças dramáticas que simplesmente não estão à disposição. Por sorte, Obama já alertou o povo americano que as coisas irão piorar antes de melhorar.

Na tentativa de melhorar, o primeiro grande desafio da próxima gestão será enfrentar o tamanho do pacote de estímulo. Os últimos números giram em torno do US$700 bilhões. A economia certamente precisa de ajuda, mas os oficiais de Obama terão que prestar atenção para as possíveis influências negativas a longo prazo para seu grande empréstimo.

Também é preciso que garantam que o dinheiro não seja usado de forma incorreta para beneficiar constituintes de alta renda. Para recuperar a economia é preciso fazer com que o dinheiro chegue às mãos daqueles que irão gastá-lo rápida e completamente. Isso inclui trabalhadores desempregados, famílias de baixa e média renda e governos estaduais e municipais.

O pacote de estímulo precisa vir acompanhado de uma medida de prevenção à desapropriação. Durante a campanha presidencial, Obama favorecia corrigir a lei para que os proprietários de imóveis pudessem ter suas hipotecas remodeladas sob proteção judicial. Isso possibilitaria que muitas pessoas mantivessem suas casas sem sobrecarregar os contribuintes com o valor das modificações dos empréstimos.

Mas Obama ainda não detalhou suas próximas medidas. Se a reforma da falência não for um plano imediato, ele deve então destinar a próxima parcela de US$350 bilhões do plano de resgate para evitar as desapropriações.

Ainda que Obama continue negociar com o povo americano (a economia não deve melhorar até 2010 no mínimo, e mesmo então provavelmente o fará de maneira lenta) as primeiras medidas de seu mandato irão significar muito para aliviar os fardos.

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