Editorial: A crise, um ano depois

Com a chegada do aniversário de um ano do colapso financeiro, há entendimento geral de que os resgates governamentais e outras intervenções impediram uma situação ruim de ficar muito pior.

The New York Times |

A forma e escala dos vários resgates ainda são o centro de um debate legítimo. Mas não há nenhuma dúvida de que o governo conseguiu, por enquanto, estabilizar o sistema financeiro. Ainda que o crédito permaneça seriamente prejudicado, lentamente se torna mais abundante e menos caro - um sinal esperançoso de que os piores dias da recessão podem ter passado.

Ainda assim, os resultados não são motivo de grande alegria. Apesar de relatórios recentes de que o governo está lucrando com os resgates dos bancos, não há, até agora, nada que sugira que o sistema financeiro está pronto para funcionar sem ampla intervenção governamental - ou que as despesas para os contribuintes serão pequenas.

Cálculos compilados para o "The New York Times" mostram que o governo obteve lucros de US$ 4 bilhões de oito dos maiores bancos que reembolsaram totalmente suas obrigações sob o principal programa de resgate do Tesouro - um retorno de cerca de 15% anualmente.

Cálculos divulgados no "The Wall Street Journal" mostraram que o Tesouro obteve US$ 5 bilhões de 34 empresas que reembolsaram dinheiro do resgate financeiro, com uma taxa de retorno de 7% anualmente.

Isso é melhor do que perder dinheiro em qualquer determinada transação. Mas o quadro geral é assustador. Estimativas do Moody's Economy.com, apresentadas em recentemente, sugerem que dos US$ 12 trilhões que o governo comprometeu para combater a crise financeira e a recessão, a conta final para os contribuintes chegará a US$ 1,2 trilhão. Isso é igual a cerca de 8% do tamanho da economia.

Em comparação, a crise de poupança e empréstimos do começo dos anos 1990, no final, custou aos contribuintes cerca de US$ 250 bilhões em dólares atuais, ou aproximadamente 3% do tamanho da economia.

Pior, ainda há muito que o público não sabe sobre os resgates. O Tesouro ainda não exige que os bancos especifiquem como estão usando os dólares do seu resgate financeiro, apesar de recomendações do inspetor geral especial para os resgates de que o governo exija uma prestação de contas periódica.

Os legisladores e o público não têm nenhuma informação precisa sobre os cerca de US$ 300 bilhões em ativos do Citigroup que o governo garantiu. Tampouco sabem sobre as condições dos contratos de derivados que o governo pagou no resgate financeiro do Grupo Internacional Americano (AIG na sigla em inglês).

Sem tais dados, é impossível avaliar a eficácia dos resgates financeiros verdadeiramente ou ter confiança de que as reformas certas serão colocadas em prática para assegurar que este desastre não ocorra periodicamente. E ainda que seja possível dizer, no momento, que as condições do sistema financeiro melhoraram, é difícil acreditar que haja qualquer coisa à frente para a economia além de uma estrada muito longa e difícil para a caminho da recuperação.

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