Editorial - A crise imobiliária do ano

A crise financeira e a Grande Recessão tiveram origem na bolha imobiliária. Quando vier, uma recuperação duradoura será evidente em sua repercussão no setor. Infelizmente, o setor imobiliário parece enfraquecer novamente.

The New York Times |

Números divulgados na semana passada mostram que depois de quatro meses de melhora, os preços dos imóveis se estabilizaram novamente em outubro.

Naquele momento, baixas taxas de hipoteca (cortesia do Federal Reserve) e crédito fiscal aos compradores (cortesia do Congresso) alimentavam as vendas. Isso deveria ter impulsionado os preços. Mas não foi o suficiente para superar a resistência criada por 3.2 milhões de casas novas e imóveis que pertenceram a uma única família e não foram vendidos - uma provisão de sete meses.

A situação, nós tememos, irá apenas piorar nos próximos meses. As taxas já estão começando a aumentar conforme as financiadoras se preparam para o corte da verba do Federal Reserve às hipotecas no fim de março. O crédito fiscal aos compradores de casas está programado para expirar no término de abril. E uma nova onda de imóveis executados está pronta para chegar ao mercado.

Está cada vez mais claro que o esforço anti-execução hipotecária da gestão Obama - que pressionou as financiadoras a reduzir as taxas de juros - não será nem perto do bastante. A alta taxa de desemprego também significa que muitos que se qualificavam para ajuda não puderam manter o ritmo até mesmo de pagamentos mensais reduzidos.

Como resultado, cerca de 2.4 milhões de imóveis executados chegarão ao mercado em 2010, forçando uma queda nos preços em cerca de 10% mais ou menos. Isso levaria o declínio nacional a aproximadamente 40% em relação ao auge do mercado em 2006.

Uma nova queda nos preços poderia gerar um novo capítulo na crise de execução hipotecária. Já estima-se que um terço dos proprietários de imóveis que mantêm hipotecas - quase 16 milhões de pessoas - devem mais do que suas casas valem. Se os preços caírem ainda mais, cada vez mais financiados afundarão mais profundamente na crise. Pesquisas sugerem que quanto maior a perda do patrimônio líquido de um imóvel, maior a probabilidade de que os financiados optarão por entregar as chaves e achar um lugar mais barato para alugar.

As coisas não precisam ficar ruins assim.

O melhor modo para modificar um empréstimo é reduzir o valor total principal, baixando o pagamento mensal e restaurando o patrimônio líquido. Mas em sua maior parte, as financiadoras se recusam a reduzir o valor total porque isso forçaria uma perda imediata no valor do empréstimo. As financiadoras também têm veementemente - e prosperamente - resistido aos esforços do Congresso em mudar a lei de forma que tribunais de falência possam reduzir os valores de hipotecas para proprietários falidos.

A gestão decidiu não pressionar as financiadoras para que concedam reduções acreditando que simplesmente baixar o valor mensal seria o bastante para evitar execuções hipotecárias. Não foi. A gestão também não lutou pela mudança no tribunal de falência quando esteve diante do Congresso no ano passado, apesar da promessa de campanha do presidente Barack Obama de fazer isso.

A economia não deve funcionar, muito menos prosperar, enquanto os preços dos imóveis estiverem caindo. Conforme o patrimônio líquido se desgasta, o gasto do consumidor diminui e as execuções hipotecárias aumentam. As financiadoras perdem a habilidade e a vontade para estender crédito e empregadores não veem incentivo para a contratação. Verdadeira recuperação econômica se torna impossível.

Para evitar o pior, a Casa Branca deveria alterar seu esforço de modificação de financiamentos para enfatizar a redução do valor total principal. A criação de empregos também deve ser uma prioridade para que o desemprego crescente não cause mais inadimplência.

Nós queriamos poder proclamar um Feliz Ano Novo para o setor imobiliário. Mas até que mais seja feito para ajudar os proprietários em dificuldades, os presságios não são bons.

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