Editorial - A crise aqui e no exterior

As notícias econômicas são tão ruins na América que os relatos dos problemas no mundo em desenvolvimento ficam de lado. As notícias por lá, se possível, são ainda mais assustadoras. E em uma economia globalizada não há proteção para ninguém. A emergência que se espalha pelo leste europeu derrubou a cotação de moedas em nações em dificuldades financeiras como a Hungria e economias sólidas como a Polônia. A crise ameaça a estabilidade política ao longo da fronteira leste da União Europeia. O governo da Letônia caiu na semana passada após protestos. A Ucrânia está no limiar.

The New York Times |

Durante o final de semana, os membros ricos da União Europeia rejeitaram o pedido de resgate dos países pobres. Agora, economias em ruínas no leste europeu (inclusive dentro da União Europeia) podem derrubar os bancos ocidentais que emprestaram dinheiro ao oriente.Tal agitação deve servir de alerta a respeito dos perigos de se ignorar os desastres que acontecem no mundo em desenvolvimento (e a necessidade de uma resposta global).

Os países pobres continuam a ser a única esperança de crescimento econômico este ano, mas isso diminui conforme eles são atingidos pelos problemas nas exportações e o corte nos investimentos estrangeiros. As moedas despencam do México à Malásia conforme os financiadores e investidores tiram seu dinheiro para deixá-lo estacionado em títulos do Tesouro nos Estados Unidos. Paquistão, Islândia, Turquia e El Salvador juntamente com diversos países da Europa oriental, já pediram ajuda ao Fundo Monetário Internacional para pagar suas dívidas externas.

Sem novo crédito, companhias e consumidores de todo o mundo em desenvolvimento lutam desesperadamente para pagar por empréstimos que em breve vencerão. Governos com orçamentos limitados em muitos países mais pobres estão incapacitados de implementar pacotes de estímulo financeiro ou mesmo reduzir taxas de juros por medo de suas moedas sofrerem com isso.

O Fundo Monetário Internacional estima que a crise irá custar aos países em desenvolvimento cerca de US$ 1 trilhão em perda de crescimento. O Banco Mundial alertou que isso irá acrescentar mais de 50 milhões de pessoas às que vivem com menos de US$ 2 por dia em todo o mundo.

Conforme se preparam para a cúpula do grupo das 20 maiores economias do mundo em Londres no dia 2 de abril, os líderes das nações industrializada precisam rapidamente criar um plano que oferecerá assistência financeira de larga escala para evitar uma catástrofe no mundo em desenvolvimento.

O Fundo Monetário Internacional precisa de muito mais dinheiro. O pedido de seu líder, Dominique Strauss-Kahn, de duplicar seu fundo de financiamento para US$ 500 bilhões é um primeiro passo. Nós aclamamos a oferta de US$ 100 bilhões do Japão e pedimos que outros (como Estados Unidos e União Europeia) também tomem uma ação. Mais precisa ser feito.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, pediu que países em desenvolvimento depositem 0.7% de seu dinheiro de estímulo fiscal em um fundo para ajudar as populações mais necessitadas do mundo. O Banco Mundial e outros bancos de desenvolvimento multinacionais podem usar o novo capital para aumentar os empréstimos a entidades dos setores público e privado no mundo em desenvolvimento, que ficaram de fora do mercado de capital.

Ajudar o mundo em desenvolvimento está dentro do alcance, mas exige capital e concessões dos países ricos. Os Estados Unidos e a Europa devem baixar a resistência a uma vasta nova questão de direitos especiais (que como a impressão de novos dólares pelo Federal Reserve age como a própria moeda do Fundo Monetário Internacional).

Os Estados Unidos e a Europa também precisam dar mais poder de voto aos novos jogadores. A China, em particular, tem o poder financiador para se tornar um importante contribuidor nos esforços globais, mas irá esperar mais poder nos negócios do fundo.

Conforme a crise de crédito se espalha, o mundo todo precisa de estímulo econômico. Países pobres, no entanto, não têm os recursos para pagar por suas próprias injeções fiscais ou recapitalizar bancos à beira da falência e reaquecer os empréstimos no setor privado. Eles precisam de ajuda externa. Para seu próprio bem, os países desenvolvidos devem oferecer esta ajuda. Rapidamente.


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