Editorial: A arte de contar calorias

Isso pode soar como uma surpresa desagradável para a indústria alimentícia, mas quando as pessoas têm a possibilidade ler quantas calorias existem em produtos fast-food elas realmente diminuem seu consumo.

The New York Times |

Em um estudo de milhares de transações em centenas de lojas da rede Starbucks, economistas da Universidade de Stanford descobriram que os consumidores da cidade de Nova York responderam aos cartazes anunciando a quantidade de calorias diminuindo seu consumo em 15 calorias por produto adquirido, uma redução de cerca de 6%.

As bebidas sofreram menos cortes. Ao invés disso, os compradores optaram por menos comidas para acompanhá-las ou, em menor quantidade, compraram produtos menos calóricos.

A medida foi particularmente eficiente para pessoas que comem muito. Uma anállise separada de compras efetuadas por pessoas que têm um cartão de fidelidade do Starbucks que consumiram pelo menos 250 calorias por compra mostra que elas cortaram seu consumo em 26% desde que as calorias passaram a ser mostradas nas lojas da rede.

Essa pesquisa parece contradizer as descobertas de um estudo anterior, que afirmou que o anúncio de valores calóricos em 14 restaurantes das redes McDonalds, Wendys, Burger King e KFC em regiões de baixa renda da cidade de Nova York não alteraram as compras dos consumidores nas semanas subsequentes.

A pesquisa no Starbucks analisou um número muito maior de transações e lojas ao longo de mais de um ano, portanto é mais precisa. Apesar da discrepância, ambos estudos parecem sugerir conclusões similares: a contagem de calorias será mais eficiente em bairros de maior renda, onde os consumidores tiveram melhor formação. E funcionará melhor quando consumidores têm outras opções de lugares para comer - que ofereçam produtos com baixo teor calórico.

O estudo do Starbucks analisou todas as lojas da cidade e descobriu que os consumidores cortam mais calorias em CEPs de maior renda onde há mais pessoas com ensino superior. Também foi descoberto que quando há uma loja Dunkin' Donuts por perto, o Starbucks vende mais.

A média da queda de consumo calórico reportada no Starbucks ainda é relativamente pequena, especialmente quando se considera a epidemia de obesidade do país. Ainda assim, o argumento da indústria de fast-food de que a contagem de calorias em seus menus não faz diferença está claramente equivocada.

Na verdade, os resultados da pesquisa sugerem que o anúncio das calorias devem ser suplementados por esforços para atrair redes que ofereçam alimentos mais saudáveis aos bairros mais pobres. E mais esforço deve ser feito para educar as pessoas a respeito das consequências da obesidade para a saúde.

Assim os consumidores estarão em uma posição melhor para considerar as calorias anunciadas nos restaurantes ao lado de sua comida favorita e tomar decisões mais saudáveis.

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