Editorial - A África contra Mugabe

Robert Mugabe roubou brutal e descaradamente sua reeleição à presidência do Zimbábue. Agora os líderes africanos, que olharam para o outro lado por tempo demais, precisam decidir o que irão fazer a respeito.

The New York Times |

Eles podem continuar a permitir que Mugabe aja fora das normas políticas e de forma desumana como apenas um ex-líder de guerrilha que se tornou um tirano poderia. Ou podem seguir o sábio exemplo do símbolo vivo da libertação africana, Nelson Mandela, que na semana passada condenou a "trágica falha na liderança" do Zimbábue.

Os sinais da sessão de abertura da Cúpula da União Africana, da qual Mugabe participou, não foram muito encorajadores. Ainda que grupos de monitoramento africanos tenham denunciado as eleições, poucos oradores da cúpula fizeram mais do que criticar silenciosa e indiretamente.

Mais do que a verdade está em jogo aqui. O Zimbábue e seu povo estão morrendo nas mãos de Mugabe - atingidos pela implosão da economia, inflação galopante, fome gerada pelo homem e uma máquina governamental cuja única função visível é premiar a colaboração do ditador e atacar ferozmente seus oponentes.

O Zimbábue precisa de um governo de transição que reflita a verdadeira vontade de seus eleitores, que ofereceram uma convincente vitória em primeiro turno ao candidato da oposição, Morgan Tsvangirai. Novas eleições justas são necessárias no país.

Responsabilidade africana

Os líderes da África estão numa posição melhor para impedir que o Zimbábue desestabilize ainda mais a região. Eles podem fazer isso ao se recusar em reconhecer a eleição de Mugabe e pressionar quem colaborar com o ditador ao lhes negar vistos, congelar suas contas bancárias e pedir que o resto do mundo faça o mesmo.

Enquanto muitos líderes africanos - principalmente o presidente da África do Sul Thabo Mbeki - se recusarem a aceitar essa responsabilidade, os Estados Unidos e outros países ocidentais precisam liderar.

O presidente Bush ampliou as sanções unilaterais às autoridades do Zimbábue. Os Estados Unidos pressionaram o Conselho de Segurança da ONU à impor embargos ao país e sanções a Mugabe.

Infelizmente, Rússia, China e África do Sul parecem determinadas a impedir que o bloco siga adiante.

Por isso mesmo, os líderes da África precisam assumir essa questão. Eles precisam falar a verdade sobre Mugabe e todos os horrores que ele impôs ao Zimbábue, apoiar suas palavras com sanções e pedir que o Conselho de Segurança faça o mesmo.

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