Economia indiana para por falta de investimento

GURGAON, Índia - Há pouco tempo, líderes indianos previam confiantemente que seu país não seria atingido pela crise econômica mundial. Agora ficou claro que esta opinião era otimista demais.

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Material de construção fica parado em Gurgaon

Material de construção fica parado em Gurgaon

Há alguns anos, as construções trabalhavam 24 horas por dia, com equipes que viravam a noite comendo no local em intervalos curtos. Agora o setor imobiliário do país estagnou.  O antes expansivo mercado artístico desacelerou completamente. Além disso,  profissionais qualificados com inúmeros diplomas estão desempregados ou aceitando posições inferiores.

O crescimento fenomenal da Índia nos últimos cinco anos foi impulsionado em parte pela enorme injeção de capital estrangeiro. Os investimentos representaram cerca de 39% do Produto Interno Bruto no ano fiscal de 2008, um aumento de 25% em relação a cinco anos antes.

Em seu auge, mais de um terço dos investimentos vieram do exterior, de acordo com o Credit Suisse. Mas nos últimos três meses do ano passado, os empréstimos estrangeiros e investimentos diretos caíram quase um terço, chegando a seu nível mais baixo em mais de dois anos.

Em um relatório recente, o Fundo Monetário Internacional afirmou que as companhias indianas estão entre as mais vulneráveis do mundo, depois das americanas, porque pediram muito dinheiro emprestado durante sua expansão. Com dados do Moody's, a empresa que qualifica o crédito, o FMI estimou que a inadimplência entre empresas não financeiras do Sul da Ásia pode chegar a 20% no próximo ano, um aumento em relação aos 4.2% previstos. (Empresas americanas devem deixar de pagar empréstimos em até 23%.)

No último quadrimestre de 2008, o índice de crescimento da economia despencou para cerca de 5.3%, o menor em cinco anos.

"Se a Índia quer voltar a ter entre 8% e 9% de crescimento econômico, o investimento particular e o baixo custo do capital é essencial", disse  Jahangir Aziz, principal economista da JPMorgan Chase no país.

Para ajudar a cobrir o vão deixado pelo investimento estrangeiro, o governo terá que gastar mais em infraestrutura e programas sociais. O  Banco de Reserva da Índia, que é o banco central do país, mudou seus alvos para taxas de juros, mas o custo de empréstimos particulares não caiu muito.

O mercado de ações da Índia teve alta de 42% desde uma baixa em março e alguns bancos estrangeiros voltaram a apostar no país, mas os economistas afirmam que o governo precisa fazer muito mais, apesar de poucos esperarem intervenções até que os novos governos assumam o poder no final de maio, começo de junho.

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