Economia da China se esbarra em um obstáculo: nas regras globais

PEQUIM ¿ Até agora nesta semana, a OMC rejeitou a China em um caso importante envolvendo restrições chinesas à importação de livros e filmes.

The New York Times |

O governo chinês fez acusações explosivas de espionagem contra executivos de uma gigante mineradora estrangeira, a anglo-australiana Rio Tinto, após protestos corporativos globais. E na quinta feira, o governo disse que voltou atrás em outro plano de contenção para instalar um software de censura em todos os novos computadores vendidos no país.

Em meio a essa grande expansão econômica, a china geralmente busca separar seu impulso agressivo na arena de negócios global das políticas domésticas, que permanecem rigorosamente controladas pelo Partido Comunista. Mas os eventos desta semana levantaram a questão de quanto tempo levará para essas duas vertentes se encontrarem.

Em cada um desses fatores, a política e os negócios se confrontam, e o negócio ganha. O comércio nem sempre ganha, e quando o faz, como nesses casos, é frequentemetne por causa de hipóteses.

Mas pelo menos em algumas questões importantes, a China parece estar enfrentando uma realidade que do lado de fora do mundo do comércio pode ser agitado e desafiante, quando seus lucros são ameaçados. E então, o sistema autoritário da China também deve se envolver de formas que seus líderes não aceitarão facilmente.

Agora, Pequim tem uma pegada global, uma consequência de seu rápido crescimento doméstico e a expansão internacional precipitada. E decisões que antes eram feitas puramente em solos próximos ¿ como a censura de websites, proteger os interesses das companhias nacionais e restringir a circulação de notícias e entretenimento estrangeiro no país ¿ agora tem ramificações internacionais.

Este é um país no meio de uma grande transição em seu papel global, disse Kenneth Lieberthal, especialista veterano em China, que agora está na Instituição Brookings. No passado, eles sempre olhavam para o que era bom para a China e ele ainda o fazem. Mas pela primeira vez, há também a necessidade de levar em conta que o país está em uma posição de obedecer.

De acordo com ele, os líderes chineses estão apenas começando a aprender como lidar com isso. Considere o seguinte: desde maio, o Ministério da Indústria e Informação Tecnológica de Pequim insistiu um pouco para que o chamado software antipornografia, apelidado de Green Dam-Youth Escort, eventualmente fosse vendido junto com cada computador comprado.

Na quinta-feira, o ministro recuou, chamando a exigência de mal entendido espalhado por regras mal escritas. Os oficiais não deram mais explicações, mas ao recuo se seguiu semanas de protestos ¿ de fabricantes de computadores estrangeiros a governos do exterior até seção de escritórios de companhias estrangeiras ¿ que disseram que o software reprimia a liberdade de expressão, comprometia a segurança da empresa e ameaçava a estabilidade do computador.

Computadores não são os únicos exemplos. Nesta semana, a OMC disse a Pequim que não poderia mais forçar fornecedores de livros, música e filmes americanos a distribuir seus produtos a partir de um parceiro local. Companhias estrangeiras viram a regra como um impedimento para alcançar um público chinês mais amplo para suas mercadorias. O mercado chinês está inundado com CDs e DVDs piratas, cujos criadores do conteúdo não recebem dinheiro.

Os chineses devem apelas legalmente pela decisão, mas o ministro do Exterior, Yang Jiechi, indicou em um discurso em Genebra que simplesmente ignorar não é uma opção. A China trabalhou por anos para se juntas ao sistema de comércio global e está sujeita, assim como outras nações, a suas regras.

A China nunca buscará avançar seus interesses a custo dos outros, disse Yang, de acordo com a Reuters.

De forma parecida, nesta semana, os promotores chineses pareceram recuar de seus relatos anteriores de que processariam funcionários do Rio Tinto sob a acusação de serem espiões e por roubar segredos de Estado. Enquanto as alegações de espionagem sobre o preço de importação do ferro da China em suas fábricas de aço. Os executivos do Rio Tinto negaram fortemente as acusações, e ambos os EUA e a Austrália disseram que as ações da China poderiam ter repercussões econômicas e diplomáticas.

Enquanto os funcionários do Rio Tinto ainda enfrentam acusações menores de suborno e roubo de segredos de comércio, a espionagem ameaça movimentar o desconforto, operando na China, que temem serem processados sentenciados por se comprometer no que o mundo considera táticas comerciais.

Ainda assim, se tais instâncias representam uma tendência ou exceções ¿ ou nenhuma delas ¿ isso continua sendo o problema de algum debate.

Muitos especialistas dizem que cada vez mais, oficiais chineses parecem alertar de que suas ações agora atingem ramificações mais amplas do que tinham há alguns anos.

Após 15 anos, o Mantrah da China era Somos as vítimas do sistema só que está empilhado contra nós, disse James V. Feinerman, especialista em lei e política chinesa na Universidade Georgetown, em Washington.

De acordo com ele, a entrada da China no mundo do sistema comercial está ajudando lentamente a mudar a visão da nação sobre si mesma, dos locais para os estrangeiros, em um amontoado do sucesso no sistema global.

No entanto, outros especialistas apontam que o que os estrangeiros vêem como uma política de mudanças, cuidadosamente, calculada pode de fato não ser nada disso. A decisão do governo de instalar um software de censura em computadores ¿ e seu recuo subsequente ¿ é um dos exemplos, dizem eles. A proposta original provavelmente foi impulsionada por um governo, que se viu contrariado quando usuários de internet e fabricantes estrangeiros começaram a se objetarem ao plano.

Será que a China está suscetível à pressão internacional? Claro que sim, disse Charles Freeman, especialista em China do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington. A China tem interesses internacionais e estão impactados pelas consequências domésticas. Há uma batalha constante entre agências sobre o quanto o capital político gasta com assuntos internacionais contra os gastos com os interesses domésticos.

De qualquer forma, poucos especialistas querem sustentar a predição de que o amolecimento de Pequim em algumas posições significa uma forte tendência. Ao contrário, Feinerman disse que a China se submeteu a uma mudança real em alguns fronts, nos últimos cinco anos. Reafirmando o dogma político em algumas áreas onde as normas comerciais e as regras de leis começaram a ser mais influenciadas.

E Jonathan Hecht, um especialista em lei chinesa do Centro de Lei da China, na Universidade de Yale, disse que os desenvolvimentos no país deveriam ser vistos em contraste com a história de um salto em direção a certos assuntos, seguido por recuos igualmente grandes. Eu desisti de fazer previsões de tendências no longo prazo, disse ele.

Por MICHAEL WINES


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