É a economia, garota!

NOVA YORK ¿ A crise econômica veio para casa de Megan Petrus, 27, no fim do ano passado quando seu namorado de oito meses, negociador de serviços de um grande banco, provou estar mais preocupado em ajudar um colega que havia sido demitido do que em confortar PEtrus depois de que seu pai teve um ataque cardíaco.

The New York Times |

Para Christine Cameron, a recessão se tornou real quando seu namorado, analista financeiro, de um ano ficou bêbado e desapareceu em um de seus encontros e então a acusou no outro dia de ter sido quem fugiu.

Dawn Spinner Davis, 26, uma linda escritora, disse que a piora dos gráficos começou a fazer sentido quando o homem com quem ela se casou em 1º de novembro, um administrador de riquezas privadas de 28 anos, parou de jogar golfe, que antes era sua paixão. Um de seus melhores amigos me disse que meu trabalho agora era mantê-lo calmo e vivo até os 35 anos, disse Davis. Não era o que eu esperava quando tinha casado.

Elas compartilharam suas tristes histórias uma outra noite em uma reunião informal no Dating a Banker Anonymous (Namoradas de Banqueiros Anônimas em tradução livre), um grupo de apoio fundado em novembro para ajudar as mulheres a lidar com os problemas inevitáveis no relacionamento depois que a Lehman Brothers faliu ou a DowJones caiu 777 pontos em apenas um dia, como aconteceu em 29 de setembro.

Além de se encontrar uma ou duas vezes por semana para um café ou beber em um bar ou restaurante, o grupo tem um blog, com um aviso de Livre das críticas feministas, que convidam mulheres a se juntarem caso seus descontos na Bergdorf caiu pela metade e o serviço de garrafa nos restaurantes e bares desapareceram de sua vida.

Não há aquele programa típico de 12 passos.

Passo 1: Coloque seu vestido e seu salto alto. Passo 2: Dê um gole no seu coquetel e espere por sua vez de andar. Passo 3: Deixe seu coração mandar. E repita quantas vezes for necessário.

Cerca de 30 mulheres, geralmente entre 25 e 30 anos, regularmente postam no website ou frequente os encontros.

Nós falamos de tudo no blog e é uma brincadeira, disse Laney Crowell, 27, que terminou com um investidor imobiliário de uma corporação no mês passado, depois de uma relação turbulenta. Mas tudo deriva de algo realmente sério e situações sinceras.

Quando ela apresenta a outras viúvas de Wall Street o grupo Elas chamam as amigas e dizem: você não vai acreditar no que eu acabei de ler. Fará você se sentir tão melhor.

Antes ter um parceiro rico, poderoso, que a deixaria sozinha com o cartão de crédito enquanto estivesse ocupado fechando negócios, era visto como uma benção em alguns círculos. Agora, muitas esposas, namoradas e, crescentemente, exes de Wall Street estão vivendo a maldição dos cortes nas horas da babá e nas reservas nos restaurantes Masa ou Megu. E aquele cartão de crédito? Cancelado.

Raoul Felder, advogado de divórcio em Manhattan, disse que os casos envolvendo as finanças sempre aumentam quando a economia começa a oscilar, porque as demissões e a redução dos bônus geram estresse nos relacionamentos ¿ e, de acordo com ele, porque não há mais fundos ou tempo para a companheira (Uma mulher escreveu no blog que quando ela reclamou por não ter sido levada para viajar recentemente, seu marido explicou que com um dinheiro tão curto, que sua esposa teria que checar suas contas).

Harriet Pappenheim, psicoterapeuta em uma consultoria de relacionamento que escreveu For Richer or Poorer (para os mais ricos ou os mais pobres em tradução livre), livro de 2006 sobre o dinheiro no casamento, disse que a repercussão poderia ser agravada pelos prodígios de Wall Street que definem suas identidades por suas profissões e pelo tamanho de seu bônus.

É um grande baque para o ego deles e para a auto-estima, disse ela sobre a corrente infindável de más notícias na economia, e eles devem descontar isso em suas companheiras e filhos.

Petrus, advogada, e Crowell, que trabalha em um website de moda, começaram o grupo de apoio quando perceberam que estavam enfrentando problemas semelhantes em seus relacionamentos com banqueiros no ano passado.

Nós colocamos dois e dois junto e descobrimos que o problema era a economia e não nós, lembrou Petrus em um encontro recente no bar do Hotel Bowery. Quando homens na área bancária passam por isso, eles não conseguem aguentar um relacionamento (Ela e seu namorado terminaram no ano passado; ele se recusou em discutir).

Muitas das mulheres disseram que a crise econômica atacou em setembro do ano passado, elas começaram a seguir a pista do mercado durante o dia para prever o humor que os homens que amam iriam ter mais tarde. Em dias de grandes notícias, como quando foi a primeira proposta de pacote de resgate foi recusado no Congresso ou quando a Lehman pediu falência, elas sabiam que os planos para ver os parceiros seriam cancelados.

Eu pensei Tudo bem, eu esperava por isso, está tudo bem, disse Cameron. Mas de repente, disse, seu namorado não conseguia mais se concentrar. Se ele estava na minha casa em uma hora casual ele ficava olhando o BlackBerry, a Bloomberg e a CNBC.

Cameron disse que ela e seu namorado terminaram no fim de novembro, mas ainda se viam ocasionalmente.

Um tópico frequente no grupo é a ligação entre boardroom (sala de reuniões do conselho administrativo em inglês) e bedroom (quarto de dormir). Na verdade, há tipos de pessoas que quando têm um dia ruim no trabalho querem fazer sexo mais vezes, falou Spinner Davis, enquanto dava um gole em sua bebida, recusando-se a dizer como ela sabia disso.

Petrus continuou o assunto.

Se você for sortuda, você conseguirá esse cara, disse, sem revelar se considerava a si mesmo sortuda. Em cenários de casos médios: o sexo é transferido para o fim de semana. Em casos piores, ela começou, mas então deu mais um gole.

Brandon Davis, marido de três meses de Spinner Davis, reconheceu em uma entrevista recente por telefone que seu novo emprego com certeza é mais estressante e com certeza tem mais pressão por causa da economia, mas discordou que esse estresse afetou sua vida em casa. Ele não quis falar sobre golfe.

Algumas mulheres no grupo disseram que os homens em suas vidas passaram de distantes e inacessíveis para necessitados, apegados de uma forma não atraente. Outras reclamaram de serem ignoradas ¿ uma, que se chamou de A. P., escreveu no blog que se passaram três semanas sem que seu namorado perguntasse uma simples questão sobre sua vida. Outra escreveu, timidamente, que seu namorado lhe disse para fazer uma lista de seus restaurantes favoritos em Nova York antes que a má situação do mercado forçasse uma mudança para áreas rurais.

Da próxima vez que você se estressar por um cara do setor financeiro, lembre-se que é apenas um nerd do clube de matemática, escreveu uma mulher depois de contar sobre um término. Essa recessão apenas trouxe a todas mais dois anos extra de vida de solteira.

Embora outra parecesse decepcionada, depois que seu namorado lhe disse para crescer e parar de reclamar sobre férias e jantares desde que ele teve que demitir 20 pessoas até o fim de semana.

No blog, os objetos de afeto ¿ desprezo ¿ são chamados de FBFs, Financial-Guy Boyfriends (namorados financeiros em tradução livre). As notícias financeiras são transmitidas por um sistema de aviso, todos os dias, que são codificados por meio de cores: vermelho, quando a DowJones caiu 300 pontos em 6 de outubro (Bom jantar com suas amigas e lave as roupas); amarelo, quando Warren Buffet investiu US$ 3 bilhões na General Eletric (Bom encontro com seu FBF); verde em 21 de janeiro, em homenagem à esperança do presidente Obama.

Apesar dessas advertências depreciativas desse cenário, aparentemente, infindável, parte da atração em namorar um banqueiro permanece.

Não é nem por causa do jantar de US$ 200, disse Petrus. É que ele é um macho-alfa, agressivo, corre atrás do que quer, não aceita não como resposta, é confiante, as pessoas o respeitam e isso cria toda uma mística em volta do que ele é.


Por RAVI SOMAIYA

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