Durante o verão americano, candidatos se preparam para a disputa final

Ao assistir as pesquisas eleitorais neste verão americano, pode parecer que apesar de todas as disputas, propagandas na TV e diversos ataques protagonizados pelos senadores John McCain e Barack Obama, nada mudou muito.

The New York Times |

Obama ainda está na frente de McCain por alguns pontos percentuais, de acordo com as mais recentes pesquisas. Parece que muitos americanos ainda não estão prontos para se decidirem ¿ isso não é surpresa ¿ ou então eles fizeram uma pausa depois da extensa temporada de primárias e não estão prestando muita atenção no que os candidatos estão fazendo.

Mas a verdade é que ambas as campanhas estão usando o verão americano para se preparam para a disputa no outono: consertando fraquezas, testando novas linhas de ataque e estabelecendo as fundações para retratar o oponente da maneira que for mais conveniente. Conselheiros de Obama e McCain estão atentos para o risco relaxar demais nesse período. (Caso passado: Michael S. Dukakis, o indicado democrata das eleições de 1988, cometeu o erro de passar todo o verão viajando pelo seu estado natal, Massachusetts.)  

Mais do que qualquer outra coisa, McCain tem gasto esse período para procurar uma espinha dorsal  para a campanha que pretende concorrer com Obama. As recentes  propagandas que retratam Obama como uma celebridade superficial tiveram origem como uma Ave Maria empenhada em chamar atenção para uma campanha que vinha sendo ofuscada pela celebridade de Obama. Mas foi um passo que os conselheiros de McCain acreditam ter dado certo. Planejam usar a estratégia com mais agressividade até a Convenção Republicana e durante o outono americano. 

Os americanos não estão propensos a eleger alguém para a presidência baseando-se na habilidade dessa pessoa em se tornar uma celebridade, disse Steve Schmidt, conselheiro sênior de McCain. A propaganda na TV é efetiva porque fala de uma verdade que as pessoas captam instantaneamente. Ela abre portas para uma análise sobre as exatas qualificações que ele tem para ser presidente dos Estados Unidos em tempos de crise econômica e na segurança nacional.

Essa estratégia foi inspirada pelo que os conselheiros de McCain, e alguns democratas, suspeitam ter sido um erro que Obama cometeu em sua bem recebida viagem à Europa. Sua aparição para cerca de 200 mil alemães em Berlim permitiu que a campanha de McCain descrevesse Obama como presunçoso e forneceu as imagens para o primeiro comercial sobre a celebridade democrata. (Esperam-se mais comerciais como esse no futuro, enfatizando Obama apresentando-se como cidadão do mundo.)

Elitista e presunçoso

Se esse tipo de publicidade encontra o público, então Obama deve achar que deu aos republicanos um presente ao optar por realizar a convenção democrata e seu discurso de aceitação da candidatura num estádio em Denver que acomoda 76 mil pessoas.  

Implícito nesse retrato emergente de Obama está um esforço para retratá-lo como um alienígena para muitos americanos, reforçando o receio que muitos têm em votar nesse recém-chegado, como sugerem as pesquisas. Portanto, as referências aos seus anos em Harvard e no Hyde Park em Chicago, além dos comentários sobre suas férias no Havaí esta semana, intencionam fazer de Obama elitista e fraco.

O senador Obama parece inquieto quando é questionado sobre assuntos difíceis, disse Brian Rogers, porta-voz da campanha de McCain, num e-mail aos jornalistas semana passada.  

Tudo isso vai funcionar? Conselheiros de Obama argumentam que as pesquisas de intenção de voto mostram que esse método não pega.

A intenção deles é óbvia, mas eu não vejo nenhuma evidência de que eles estão conseguindo alguma coisa com isso, disse David Axelrod, estrategista sênior de Obama. A verdade é que, se você utiliza muitos ataques gratuitos, especialmente no ambiente de noticiário 24 horas, você chama muita atenção.

Axelrod disse que não acredita que nem McCain, nem ninguém, terá sucesso em pintar Obama como um elitista. 

Obviamente, a estratégia de McCain encontra entrada nas suas propriedades em Sedona, Arizona, ou nas outros seis redutos que ele tem, e assim eles decidem que tipo de ataque vão usar, disse Axelrod.  

Preparação para o outono

Enquanto McCain tem usado o verão para pensar numa maneira de alcançar Obama, Obama tem tentado consertar um buraco causado por sua viagem à Europa. Aquele esforço produziu algumas imagens que mesmo alguns republicanos disseram que poderiam advertir os eleitores sobre as credenciais do democrata no quesito política externa.  

Ao analisar a efetividade dos ataques republicanos a Obama, Axelrod imitou a maneira como Schmidt e outros conselheiros de McCain apontam o efeito da viagem de Obama: aponta as pesquisas como evidência de que o público não ficou impressionado. Os passos da campanha agora, entretanto, não visam o próximo resultado das pesquisas, mas sim arrumar a mesa para a disputa do outono americano.  

Estamos preparando as fundações para o debate do outono, disse Charlie Black, conselheiro sênior de McCain. Mesmo que as pessoas digam que não estão prestando atenção suficiente para dizer que estão mudando seus votos, elas absorvem as informações.

Por ADAM NAGOURNEY

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