Dossiê revela negócios familiares em torno do terrorismo

Documentos com história de empresário de turismo em NY preso em Guantánamo e filho trazem à tona plano de atentados em série

The New York Times |

Ele observa as fotos do arquivo confidencial através de óculos de molduras pesadas, um rosto envelhecido adornado por uma barba grisalha e um meio sorriso.

Saifullah Paracha, um empresário de sucesso que durante muitos anos trabalhou como agente de turismo em Nova York, parece ser o mais velho dos 172 prisioneiros ainda detidos na prisão de Guantánamo. Seu processo está entre os mais assustadores.

Nos meses após os atentados de 11 de setembro de 2001, Paracha, 63 anos, fazia parte de um pequeno círculo de agentes da Al-Qaeda que exploraram formas de dar sequência aos sequestros de aeronaves comerciais com novos ataques, de acordo com os arquivos confidenciais de Guantánamo colocados à disposição do New York Times.

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Centro de detenção em base militar americana de Guantánamo, em Cuba (16/9/2010)
Trabalhando com Khalid Sheikh Mohammed, o planejador dos atentados do 11/9, que no início de 2002 deu a ele entre US$ 500 mil e US$ 600 mil "para poupança", Paracha ofereceu a sua longa experiência no negócio de transporte para armar um esquema de transporte de explosivos plásticos para os Estados Unidos dentro de recipientes de roupas de mulheres e crianças, afirmam os arquivos.

A avaliação de Paracha está entre os mais de 700 documentos confidenciais que revelam novos detalhes dos esforços da Al-Qaeda em fazer do 11/9 apenas o primeiro de uma série de ataques que paralisariam os Estados Unidos, intenções frustradas conforme a Agência Central de Inteligência capturou Mohammed e outros líderes da rede terrorista.

Negócio

Para o pequeno círculo de agentes da Al-Qaeda descrito na avaliação de Paracha em dezembro de 2008, o terrorismo parecia um negócio familiar. No grupo estava Mohammed, principal planejador da rede terrorista, e seu sobrinho, Baluchi, que foi casado com outra militante, uma neurocientista que estudou nos Estados Unidos conhecida como Aafia Siddiqui. E ali também estavam Paracha e seu filho, Uzair.

As avaliações recém-reveladas, obtidas no ano passado pelo grupo WikiLeaks e fornecidas por uma outra fonte para o New York Times, reavivaram a disputa sobre a possibilidade de maus-tratos de alguns prisioneiros em Guantánamo e o funcionamento do presídio fora do sistema de justiça criminal invalidar os resultados obtidos ali pelo governo.

David H. Remes, advogado que representa Paracha, disse em uma entrevista na segunda-feira que embora não tenha visto a avaliação, sua conclusão de que seu cliente representa um "alto risco" aos interesses dos Estados Unidos não tem fundamento.
"A noção de que ele fez qualquer coisa que justifique a sua detenção ou que já foi ou é algum tipo de ameaça para os Estados Unidos, é um absurdo", disse Remes.

O que Paracha quer, segundo Remes, é uma transferência de volta para seu país natal, o Paquistão, ou "a transferência definitiva de seu caso".

*Por Scott Shane e Benjamin Wiser

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