Você dormiu como um bebê na noite passada? Pode achar que sim, mas na verdade você dormiu como um pássaro.

Ou melhor, um pássaro dormiu como você. Um pássaro em particular ¿ o pintassilgo-zebra, que os pesquisadores dizem ter uma estrutura de sono muito parecida com a nossa e de outros mamíferos.

Philip Steven Low do Instituto Salk para Estudos Biológicos em San Diego, Califórnia, e colegas relatam, em Os Procedimentos da Academia Nacional de Ciências, que eletroencefalogramas (EEG) dos pássaros cantantes mostram que eles têm episódios de sono com movimento rápido dos olhos e sono de ondas curtas, assim como estágios de transmissão e rápidos picos ¿ todos reminiscentes dos padrões de sono dos mamíferos.

É a primeira vez que este completo grupo de características de sono foi encontrado fora dos mamíferos ¿ uma descoberta surpreendente, segundo Low, porque pássaros carecem do neocórtex, a parte do cérebro mamífero necessária para tais padrões.

Realmente, embora os cientistas quisessem estudar o sono nos pássaros cantantes pelas evidências de que o sono desempenhava função na aprendizagem de canções, a falta do neocórtex atrasou os esforços para isso; havia sido difícil obter os sinais elétricos corretos dos cérebros de pássaros. Low experimentou mover os eletrodos do EEG em volta do cérebro até que encontrasse um ponto adequado. A chave para isto não é diferente do setor imobiliário na Califórnia, diz ele. Localização é tudo!

Ele também desenvolveu um algoritmo para analisar os sinais. Não tem sentido olhar esses dados segundo a segundo, diz Low. Tive de inventar uma forma matemática de entender a atividade cerebral.

O algoritmo produz redes multidimensionais que revelam a estrutura, segundo ele. Uma meta é utilizar algoritmos similares para detectar mudanças estruturais no sono de pessoas com doenças neurológicas ¿ para usar o sono como um microscópio para a atividade do cérebro, diz Low.

Quanto aos resultados do pintassilgo-zebra, eles mostram que o córtex não é imprescindível para um sono estruturado dessa forma, e também levantam questões evolucionárias. A questão agora é se a evolução atravessou o problema de selecionar esses padrões específicos mais de uma vez, ele diz.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.