Do cinema à moda, vampiros viram tendência

Os sintomas são alarmantes: o desejo por carne fresca (mal passada, por favor), a aversão à luz do sol e uma paixão por visuais pálidos de outro mundo. Tudo isso indica que a pessoa pegou o vírus dos vampiros.

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Tendência da moda vampira ilustram capa de revista de moda

Sookie Stackhouse, a jovem heroína de "True Blood", arrisca sua vida sempre que visita seu amado. E Oskar, o adolescente fora de lugar do filme sueco "Let the Right One In", favorito nos círculos de moda, corteja a extinção sempre que sai com Eli, seu assustador e eterno amigo.

Sookie e Oskar estão no meio da luxúria vampiresca, um contágio da cultura pop que se espalhou pela televisão, filmes e livros.O que começou com a saga "Crepúsculo", a série de romances jovens de Stephenie Meyer, teve sequência em "Crepúsculo", o filme que se tornou uma pandemia de proporções desumanas.

Isso assusta?

Raramente os monstros pareceram tão suntuosos (ou prontos para as câmeras). Grande parte desta última mania de vampiros surge da sensualidade jovem com a qual os demônios são retratados. Eles não são Bela Lugosi.

"O vampiro é o novo James Dean", disse Julie Plec, escritora e produtora executiva de "The Vampire Diaries", uma nova série baseada nos populares romances de L.J. Smith sobre homens e mulheres fatais no Ensino Médio. "Há algo tão plácido e sexy a respeito destes jovens predadores", ela disse.

Esta geração de imortais frequenta corredores de escolas e boates pouco iluminadas tão ameaçadora (e sedutora) quanto sempre. A première de junho da segunda temporada de "True Blood", na qual Sookie, interpretada por Anna Paquin, se reencontra com seu perigoso pretendente, atraiu mais de 3.4 milhões de telespectadores, fazendo do programa o mais visto da rede HBO desde a transmissão do episódio final de "Sopranos" em 2007.

Charlaine Harris acaba de publicar "Dead and Gone", a nona novela da série Sookie Stackhouse, variações da ficção sulista gótica sobre a qual "True Blood" se baseia. O mundo editorial também está intrigado com "The Strain", a primeira parte de uma planejada trilogia do diretor de cinema Guillermo del Toro e Chuck Hogan, sobre predadores sedentos por sangue que caçam em Manhattan.

O mundo da moda também cedeu às tentações dos dentes caninos, na forma de lindos robes de couro e coturnos negros que invadiram os editoriais de revistas.

Os vampiros, é claro, fazem parte de uma tradição antiga que data pelo menos do Nosferatu e de "Drácula" de Bram Stoker. Anne Rice atualizou o gênero, criando o aristocrático vampiro Lestat.

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Combinação do estilo inclui meia arrastão e roupas escuras

Mas os imortais agora retornam vingativos ao "personificar ansiedades do mundo real", disse Michael Dylan Foster, professor  assistente do departamento de folclore da Universidade de Indiana em Bloomington.

"Especialmente durante este período de violência que se seguiu ao 11 de setembro, representações como a série 'Crepúsculo' refletem uma espécie de mentalidade de teoria da conspiração, um medo que que haja algo maior, secreto e perigoso em nossa vida, bem debaixo do nosso nariz".

Mas com tudo isso, o que faz com que os vampiros sejam tão atraentes?

Pode ser uma combinação de imortalidade, bela aparência e desejos decadentes. Seus rostos, como descrito em "Crepúsculo",  "são todos devastadoramente e desumanamente lindos. Estes são rostos que nunca se esperava ver fora de páginas alteradas de revistas de moda".

A atração dos vampiros é "nosso desejo de imaginar os monstros que seríamos se pudéssemos sr", sugere Rick Owens, estilista gótico que evoca os imortais em suas criações.

"Períodos de guerra, crise econômica e mudanças culturais aumentam a produtividade de ficção vampiresca", disse Thomas Garza, presidente do departamento de estudos Eslavos e Eurasiáticos da Universidade do Texas em Austin, e especialista na cultura dos vampiros. "Com a recessão e a guerra, o conflito parece se tornar interno, e buscamos por este tipo de publicação  conforme questionamos a nós mesmos nossa posição fiscal, política e moral. 'Fomos excessivos demais? Precisamos de mais restrições?  Agora estamos questionando novamente estes valores fundamentais".



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