Divórcios aumentam conforme mulheres lutam por seus direitos no Irã

TEERÃ, Irã - Em um ano de casamento, Razieh Qassemi, 19, diz que foi constantemente espancada por seu marido e seu sogro. Seu marido, ela diz, é viciado em metanfetaminas e ameaçou casar-se com outra mulher para torturá-la.

The New York Times |

Ao invés de aguentar o abuso, Qassemi agiu como seria impossível para a geração anterior de mulheres iranianas: ela pediu o divórcio.

Defensores dos direitos das mulheres dizem que as iranianas estão mostrando uma crescente determinação em conquistar um status igualitário nesta conservadora teocracia muçulmana, onde a supremacia masculina ainda está inscrita no código legal. Um em cinco casamentos agora acaba em divórcio, de acordo com informações governamentais, um número que quadruplicou nos últimos 15 anos.

Não se trata apenas de mulheres das ricas e ocidentalizadas elites. O prédio da corte familiar na praça Vanak está cheio de mulheres, como Qassemi, que não são privilegiadas. Mulheres de classes baixas e até mesmo as religiosas estão entre as que sobem e descem escadas para lutar por divórcios e a custódia de seus filhos.

O aumento no nível educacional e a revolução da informação contribuíram para criar uma geração de mulheres determinadas a conquistar maior controle sobre suas vidas, afirmam os defensores.

Confrontadas com novas restrições culturais e legais depois da Revolução Islâmica de 1979, algumas jovens mulheres buscaram na educação superior uma forma de sair de casa, adiar o casamento e ganhar respeito social. Mulheres religiosas, que se recusaram a sentar na mesma sala de homens, voltaram às universidades depois que as instituições foram segregadas.

Hoje, mais de 60% dos estudantes são mulheres, em comparação a apenas 30% em 1982, ainda que as salas não sejam mais segregadas.

Mesmo para as mulheres para quem a educação superior não é um opção, a internet e a televisão via satélite mostra como é a vida de mulheres no ocidente. "Os satélites mostraram uma forma alternativa de se viver", disse Syma Sayah, feminista envolvida em trabalho social em Teerã. "As mulheres veem que é possível existir um tratamento igualitário com os homens".

Outro sinal da mudança nas atitudes é a crescente popularidade dos livros, filmes e documentários sobre a discriminação sexual.

Apesar das conquistas que tiveram, as mulheres ainda enfrentam muitos obstáculos. Meninas podem legalmente serem obrigadas a se casar aos 13 anos. Homens têm direito ao divórcio de suas mulheres quando quiserem e recebem a custódia dos filhos de mais de sete anos. Eles também podem proibir suas mulheres de trabalharem e praticar a poligamia.

- NAZILA FATHI

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