Divisão sobre o déficit deve crescer após eleições nos EUA

Após campanha eleitoral, que teve no centro das atenções a crescente dívida federal, governo deve ficar ainda mais dividido

The New York Times |

Depois de uma campanha eleitoral, que teve no centro das atenções a crescente dívida federal, o governo americano deve ficar ainda mais dividido sobre o que fazer, afirmam políticos de ambos os partidos, com democratas enfraquecidos e republicanos reforçados, confrontando divisões internas enquanto batalham entre si.

Nas semanas seguintes à eleição de 2 de novembro, a Casa Branca e o Congresso enfrentarão decisões imediatas que devem testar o equilíbrio de poder – sobre a continuidade dos impostos da era Bush, a aprovação em atraso de despesas para manter o funcionamento do governo e, possivelmente, debatendo as recomendações que o presidente Barack Obama solicitou a uma comissão bipartidária de redução da dívida até dezembro.

O relatório da comissão de 18 membros que inclui alguns membros influentes do Congresso, seis de cada partido, ajudará a determinar se existe um consenso bipartidário para lidar com a combinação insustentável dos programas assistencialistas de rápido crescimento como a Segurança Social e o Medicare e receitas fiscais inadequada.

Decisões

O grupo adiou a tomada de decisões para depois das eleições, para evitar vazamentos que pudessem ser usados durante a campanha, mas mesmo alguns dos seus membros duvidam que conseguirão reunir os 14 votos necessários para enviar um pacote ao Congresso para votação. Na melhor das hipóteses eles esperam que opções deixadas na mesa, ou acordadas pelos presidentes - Erskine B. Bowles, chefe de gabinete da Casa Branca durante o governo do presidente Bill Clinton, e Alan K. Simpson, ex-líder republicano no Senado – encontrarão apoio nos gastos e isenções fiscais.

Em entrevistas, alguns democratas e republicanos concordaram em uma coisa: apesar de todo o falatório de que um governo dividido poderia forçar os partidos a trabalharem juntos, especialmente na redução dos déficits anuais, o oposto também pode acontecer.

Os democratas devem perder algumas cadeiras, senão a maioria – principalmente os mais conservadores fiscalmente, de inclinação republicana. Isso vai resultar em uma bancada mais liberal e menos inclinada a apoiar as mudanças de redução de custos em benefícios futuros da Previdência Social, por exemplo.

Brigas internas

Ambos os partidos também enfrentam brigas internas que podem dificultar qualquer grande oportunidade para reduzir os déficits anuais aumentando a dívida acumulada, que até o final da década atingirá níveis perigosos conforme mais aposentados solicitem o Medicare e a Previdência Social.

O que pode resultar disso é um "impasse sobre a redução do déficit ", disse John Podesta, presidente do Center for American Progress e chefe de gabinete na Casa Branca de Clinton.

Esse será o resultado se os republicanos, como esperado, bloquearem o auxílio desemprego adicional e se permanecer o impasse dos partidos na sessão sobre os cortes de impostos da era Bush, que expiram 31 de dezembro. Isso causaria níveis mais baixos de gastos em vigor para o ano fiscal de 2011 e forçaria Obama e os republicanos a tentar chegar a um compromisso fiscal para o próximo ano.

*Por Jackie Calmes

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