Divisão de força rebelde pode prejudicar negociações de paz no Congo

DACAR, Senegal - Desacordos sobre táticas e poder dividiram o antes aparentemente invencível grupo rebelde congolês que levou caos ao país no último ano e quase destituiu o seu enfraquecido governo.

The New York Times |

O general Laurent Nkunda, líder do grupo rebelde dominado pela tribo Tutsi conhecido como CNDP, está combatendo a tentativa de sua substituição por Jean Bosco Ntaganda, seu braço direito e um cruel combatente conhecido como o Exterminador, que é procurado pela Corte Internacional de Hague, Holanda, por crimes de guerra, de acordo com ambos os lados da questão.

O grupo rebelde humilhou as tropas congolesas batalha após batalha no ano passado, crescendo em ambição e impulso até que chegou a ameaçar diretamente a capital regional, Goma. O resultado disso foram milhares de pessoas desalojadas e o grave enfraquecimento do governo, o primeiro eleito livremente no país em quatro décadas.

Apesar de não haver relatos de combate direto entre os grupos de Nkunda e Ntaganda, a divisão deve complicar as tentativas de paz na difícil região. Olusegun Obasanjo, ex-presidente da Nigéria, tem mediado a situação entre o governo congolês e os rebeldes como enviado da ONU depois que as negociações de paz falharam.

Jason Stearns, analista independente do Congo que recentemente trabalhou em um painel da ONU que examinou o conflito no país, disse que é improvável que a decisão de Ntaganda de se separar de Nkunda seja simples e que ela terá sérias repercussões por esmorecer as negociações de paz que acontecem em Nairóbi, Quênia.

"Ninguém consegue dizer a posição do comando", ele disse. "Nós estamos esperando para ver o que acontecerá. O que ficou claro é que isso gera uma séria divisão no CNDP, e isso irá prejudicar as negociações de paz em Nairóbi".

Ntaganda se declarou líder do CNDP na última segunda-feira e afirma que tem consigo uma parte significativa do grupo. Nkunda insiste continuar no controle e tentou minimizar os desacordos.

A separação parece acontecer depois que os homens discordaram sobre quão longe a rebelião deve ir para atingir seus objetivos e, de certa forma, a respeito de quais são estes objetivos, de acordo com diplomatas e analistas da região.

Por LYDIA POLGREEN

Leia mais sobre Congo

    Leia tudo sobre: congo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG