Divisão Continental: Crise econômica afasta países da União Europeia

BERLIM - A União Europeia é um experimento extraordinário de soberania compartilhada, que criou uma zona de paz que vai da Grã-Bretanha até os Balcãs. A união de 27 países é o mais formidável bloco econômico do mundo, incorporando 491 milhões de pessoas em um mercado integrado que produz quase um terço a mais do que os Estados Unidos.

The New York Times |

Mas a crise econômica mundial deixou claro que a Europa continua a ser menos do que a soma de suas partes.

A crise representou o maior desafio da União Europeia, mas mesmo muitos comprometidos europeus acreditam que a aliança está fracassando neste teste. Os líderes europeus, com foco em políticas domésticas, discordam muito sobre o que fazer para combater a situação. Eles têm opiniões diversas sobre o quanto devem estimular a economia. Eles argumentam em relação à necessidade do Banco Central Europeu se preocupar mais com a profundidade da recessão ou com a inflação futura. Além disso, eles têm que proteger empregos em seus mercados domésticos às custas daqueles de outros países membros do bloco.

As eleições parlamentares europeias de domingo deixaram isso claro. Apenas 43% dos europeus votaram (um baixo comparecimento recorde), apesar da crise financeira e do voto ser obrigatório em alguns países. Partidos de extrema direita, que se opõem à União Europeia e aos imigrantes de países membros mais pobres, ganharam espaço, bem como os Verdes. Aqueles que votaram levaram às urnas as questões nacionais.

Com a liderança americana prejudicada por divisivas guerras estrangeiras e o modelo econômico de um mercado livre de pouca regulação dos Estados Unidos sob grave desafio, a Europa é importante. O "modelo europeu" de significativo envolvimento governamental na economia; grande supervisão das finanças, indústrias e trabalho; e pensões e assistência médica estatais generosas, tem sido elogiado em alguns círculos como uma alternativa viável ao capitalismo americano.

Mas apesar da crise das hipotecas ter começado nos Estados Unidos, a Europa tem sofrido mais. O Fundo Monetário Internacional estima que os bancos europeus tinham mais investimentos do que os americanos e menos garantias. O déficit orçamentário está subindo e o desemprego, especialmente entre os jovens, já é o maior em 10 anos.

Com a resposta prejudicada por uma União Europeia dividida, muitos economistas preveem que a crise irá durar muito mais aqui do que do outro lado do Atlântico.

"Estamos em um momento de profunda crise", disse Joschka Fischer, político do Partido Verde e ex-ministro do Exterior da Alemanha. "Sofremos com uma traumática falta de liderança e estamos presos no meio de uma enchente".


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