Dividida, Grécia oscila entre caos e calma

ATENAS - A área em torno do bairro central de Exarchia, onde um adolescente foi morto pela polícia no sábado, ainda mostra cicatrizes dos protestos subsequentes. Dezenas de lojas e bancos têm buracos de bombas caseiras, e em centenas de outros estabelecimentos as vitrines foram quebradas.

The New York Times |

Ainda assim, a poucos quarteirões dali, a cidade parece normal, suas lojas de classe alta e cafés funcionam como sempre, as avenidas enfeitadas com fitas azuis e luzes brancas para o Natal.

Como o cenário urbano de Atenas, a Grécia na quarta-feira oscilava entre extremos. Os próximos dias determinarão se haverá calma ou caos, ou se o governo irá mudar sua política de não intervir em protestos que considera saudáveis para a democracia.

Na quarta-feira, o governo, enfraquecido por escândalos políticos, defendeu sua resposta aos protestos dizendo que optou por não parar as manifestações para evitar ainda mais derramamento de sangue.

AP
Manifestantes usam coquetéis Molotov contra os policiais

A Grécia tem protestos frequentes, mas os que foram vistos nos últimos dias, aqui e em outras cidades, foram os piores em décadas. A Associação do Comércio de Atenas estima danos de cerca de US$1,3 bilhões.

Ainda assim, o porta-voz do governo disse que espera que a crise passará em seu próprio tempo.

"Eu acho que a razão irá prevalecer", afirmou Panos Livadas, secretário geral do Secretariado de Informação da Grécia. "Não reagir violentamente à violência tem um custo político, mas estamos dispostos a aceitar isso".

Novos confrontos

A situação permaneceu volátil na quarta-feira. Novos confrontos entre a polícia e os manifestantes eclodiram em meio a uma greve há muito planejada para combater as políticas econômicas do governo.

Confrontos também ocorreram diante do prédio do Parlamento, onde diversos manifestantes se reuniram para apoiar a greve, bem como diante da corte de Atenas, onde os dois policiais envolvidos no tiroteio que deu início ao tumulto testemunharam a portas fechadas. A tropa de choque disparou gás lacrimejante contra os jovens que atiravam pedras e bombas de gasolina.

Muitos gregos simpatizam com as críticas feitas ao governo pelos manifestantes. Mesmo aqueles que ficaram surpresos com a violência também expressaram raiva pela forma como a polícia agiu no sábado.

Ainda não se sabe ao certo o que aconteceu, mas a polícia reconhece que tiros foram disparados em um confronto entre dois policiais e um grupo de jovens em Exarchia, onde muitos esquerdistas vivem e se reúnem. Uma bala atingiu Alexandros Grigoropoulos, 15, que morreu a caminho do hospital.

"Eu sinto como se um parente meu morreu", disse Penny Dai, estudante de 17 que participava de uma manifestação pacífica diante do Parlamento na noite de quarta-feira, em frente à maior árvore de Natal da cidade.

Por RACHEL DONADIO

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