Diversidade racial ainda enfrenta problemas na TV americana

LOS ANGELES - Às vésperas da eleição de Barack Obama no ano passado como o primeiro presidente afro-americano, a televisão pareceu inclinada a um futuro pós-racial. Em outubro, duas emissoras proeminentes (CNN e Comedy Central) começaram a veicular programas com âncoras negros, uma mudança que foi perceptível porque poucos programas atuais são liderados por minorias.

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D.L. Hughey, da CNN, cujo programa foi interrompido

D.L. Hughey, da CNN, cujo programa foi interrompido

Cinco meses depois, ambos os programas ("Chocolate News", com David Alan Grier no Comedy Central, e "D.L. Hughley Breaks the News" na CNN) foram descontinuados. Além disso, a CW, emissora que veicula programas cômicos com muitos negros na equipe, anunciou em fevereiro que renovaria seis séries populares, mas as duas com maioria de atores negros ("Everybody Hates Chris" e "The Game") não estavam entre elas.

Uma das poucas novas séries com um protagonista negro, a cômica "Do Not Disturb" da Fox, foi cancelada depois de apenas três episódios por causa da baixa audiência.

Tudo isso gera algumas questões sobre a televisão americana realmente ter feito algum progresso em melhor refletir seu público e se os telespectadores verão um retorno ao antigo e monocromático na próxima temporada. Tanto o Comedy Central quanto a CNN disseram na semana passada que seus programas não foram cancelados, eles simplesmente foram descontinuados.

Em um relatório emitido em dezembro, a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês) disse que o número de atores pertencentes à minoria em papéis regulares ou recorrentes nas três de quatro das maiores redes caiu muito na temporada 2006-7. Apenas a ABC mostrou um aumento no número de papéis concedidos a pessoas da minoria neste período, de acordo com o relatório, que lamentou a "enorme falta de representação das minorias" no entretenimento.

As emissoras dizem estar lidando com a questão tanto diante quanto por trás das câmeras. Paula Madison, vice-presidente executiva da NBC Universal que coordena os esforços de diversidade, disse que Hollywood tende a atrair um grande número de roteiristas e diretores aspirantes das escolas de produção que por sua vez não são muito diversas. A NBC Universal tenta confrontar isso ao oferecer dinheiro extra para programas que acrescentem membros da minoria em sua equipe de produção e atuação.

"Nós estamos no ponto em que mais pessoas de cor trabalham em níveis mais altos", disse Madison. "Isso nos torna mais eficientes em lidar com a diversidade e em receber novos projetos".

Por EDWARD WYATT


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